A grande manipulação

Lava Jato foi o ‘sabão de lavar o fascismo’, diz advogada

Tânia Mandarino, do Coletivo Advogados e Advogadas pela Democracia, diz que, nos bastidores, Moro, Dallagnol e os procuradores de Curitiba estão “desesperados” em função das possíveis consequências jurídicas dos abusos cometidos

Mídia Ninja
Passivo de destruição e ilegalidades cometidas pela Lava Jato é "inigualável", afirma Tânia Mandarino

São Paulo – Depois de quase sete anos de atuação, o Ministério Público Federal anunciou oficialmente nesta quarta-feira (3) o fim da Operação Lava Jato. Seu fim melancólico coincide com a divulgação de nova leva de mensagens trocadas entre o então juiz federal Sergio Moro e os procuradores da força-tarefa de Curitiba. O conteúdo dessas conversas confirma, mais uma vez, o conluio montado para prender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com Lula preso, impedido de concorrer às eleições de 2018, a Lava Jato pavimentou o caminho para a ascensão de Jair Bolsonaro.

Para a advogada Tânia Mandarino, do Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (Caad), o fim melancólico da Lava Jato, sem qualquer tipo de manifestação popular a seu favor, demonstra que a sociedade brasileira tomou consciência das ilegalidades cometidas por Moro e a turma de procuradores.

“A corrupção mata e sabemos disso. Só que o esse modelo de combate à corrupção também foi o maior sabão de lavar o fascismo”, afirmou Tânia, em entrevista ao Jornal Brasil Atual, nesta quinta-feira (4). Além disso, ela diz que esse suposto combate à corrupção passou a ser o tipo de estratégia utilizada por autoridades estadunidenses para desestabilizar governos considerados como “inimigos”, a exemplo do que ocorreu em Honduras e na Ucrânia ao longo da última década, passando também pelo Brasil.

Choro e desespero

A advogada curitibana relata que o clima nos bastidores da Lava Jato é de apreensão. Isso porque as mensagens trocadas entre Moro e os procuradores da força-tarefa foram alvo de perícia da própria Polícia Federal (PF), que atestou sua veracidade. Com isso, elas poderão servir de provas tanto para absolver Lula, como para incriminar Moro e os “moleques da Lava Jato” pelas ilegalidades cometidas.

“Ouvi dizer, de gente que tem convívio com eles, que Dallagnol está chorando e Sergio Moro está bastante desesperado. Nos bastidores, o medo é muito grande. Inclusive de prisão”, afirmou a advogada.

Ela ironizou a tentativa de Moro, que utilizou a sua esposa, Rosângela Moro, para mover uma reclamação no STF, alegando que as mensagens foram obtidas por meios ilícitos. “O cara (Moro) é campeão em obter provas por meios ilícitos. É um momento de deleite para quem gosta de Justiça.”

Passivo

De acordo com a integrante do Caad o rastro de destruição econômica e política, além das transgressões jurídicas, configuram um legado negativo “inigualável”. “O passivo histórico deles vai ser assemelhado, em diferentes proporções, com coisas tão graves como foi a escravidão no Brasil. Vejo no futuro o Estado brasileiro pagando altas indenizações em relação ao que foi feito na Lava Jato”, disse Tânia.

Ela afirmou, ainda, que é preciso entrar com um pedido de prestação de contas sobre a Operação Lava Jato. Só assim será possível verificar a destinação dos recursos que foram “recuperados” pelos procuradores, além dos custos proporcionais acarretados pela operação. Por enquanto, o único legado positivo, segundo ela, foi o aumento da consciência do povo brasileiro sobre os abusos cometidos pela turma de Curitiba.

Assista à entrevista

Redação: Tiago Pereira. Edição: Glauco Faria