Bolsonarismo

Esposa de Daniel Silveira recebeu auxílio emergencial trabalhando no Ministério do Meio Ambiente

Paola da Silva Daniel foi nomeada pelo ministro Ricardo Salles para cargo em comissão do Jardim Botânico e recebe salário de R$, 5,6 mil

Reprodução Redes Sociais
"Precisava do dinheiro para custear minha despesa até meu local de trabalho", diz Paola, que afirma estar tentando resolver burocracia para devolver o dinheiro do auxílio emergencial

São Paulo – Paola da Silva Daniel é coordenadora de Gestão de Pessoas do Instituto Pesquisas Jardim Botânico e recebe salário de R$ 5,6 mil. Esposa do deputado federal bolsorista Daniel Silveira (PSL-RJ), preso na terça-feira (16), Paola foi nomeada pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em outubro do ano passado. Apesar disso, a mulher do deputado bolsonarista recebeu o auxílio emergencial voltado a pessoas carentes. Segundo reportagem do Globo, dados do sistema de pagamentos da Caixa (banco responsável pelo pagamento do auxílio) mostram o pagamento de quatro das sete parcelas recebidas do benefício emergencial, totalizando R$ 1.800. “Isso corresponde a metade do que ela recebeu no programa desde que conseguiu ser inscrita”, informa a reportagem. “O sistema não indica nenhuma devolução do recurso, nem mesmo a saída do programa.”

Em seu perfil no Facebook, Paola se apresenta como advogada formada pela Universidade Estácio de Sá, com pós-graduação em Ciências Criminais. “Que nada nos limite, pois o vento que sopra nossas asas se chama fé”, diz em uma frase postada logo abaixo de sua foto no perfil.

Daniel Silveira permanece preso por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi referendada pela Câmara dos Deputados em votação realizada no último dia 19. O bolsonarista foi preso em flagrante pela PF no âmbito do inquérito do STF que investiga fake news, conduzido pelo próprio Moraes, por gravar e divulgar vídeo em que ataca ministros do Supremo e defende o Ato Institucional nº 5. A decisão do ministro foi baseada no artigo 53, parágrafo 2º da Constituição, segundo o qual parlamentares não poderão ser presos, “salvo em flagrante de crime inafiançável”.

Três pedidos de pagamento

O Globo informa que segundo a Caixa, foram feitos três pedidos de pagamento do benefício para a esposa de Daniel Silveira. “O primeiro deles, no dia 12 de abril, foi negado por falta de informações. O segundo, protocolado no dia 27 do mesmo mês, teve a mesma resposta. Somente na terceira tentativa, feita em 6 de junho, é que o recurso pôde ser liberado. Desde então, foram creditadas cinco parcelas de R$ 600 e outras duas de R$ 300.”

À reportagem, Paola disse que preencheu “todos os requisitos legais para o recebimento do benefício” e que está tentando devolver o recurso recebido até novembro, segundo ela. Dados da Caixa, no entanto, apontam dois pagamentos em dezembro. Paola demonstrou desconhecer esse pagamento. “Minha última parcela do auxílio foi em novembro. Moro em Petrópolis e precisava do dinheiro para custear minha despesa até meu local de trabalho. Após meu primeiro vencimento, procurei uma maneira de devolver essa última parcela, pesquisei e observei que era bem burocrático e que continha muitas dificuldades, dificuldades estas que ainda estou tentando solucionar. No mais, fiz tudo dentro da legalidade.”


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