Rolando Lero

Rumo aos 200 mil mortos, Eduardo Pazuello faz pronunciamento vazio sobre vacinação

Ministro da Saúde anuncia medida provisória sobre vacinação, sem falar em data nem números. “Postura irresponsável”, diz Alexandre Padilha

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São Paulo – Em pronunciamento em rede nacional nesta quarta-feira (6), o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, anunciou a edição de uma medida provisória para aquisição de vacinas e insumos para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. A MP estabeleceria a logística para a operacionalização do programa de imunização. A coordenação do plano de vacinação, informou Pazuello, será do Ministério da Saúde (MS). A MP preveria ainda o treinamento de profissionais e a permissão para a contratação de vacinas e insumos antes mesmo do registro sanitário pela Anvisa.

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Segundo o ministro, todos os estados receberão vacinas. “Asseguro que todos os estados e municípios receberão a vacina de forma simultânea, igualitária e proporcional à sua população”, disse, ao reafirmar que a vacina será gratuita e não obrigatória. Foi um raro pronunciamento de um ministro da Saúde em rede nacional desde o início da pandemia, em março. Mas Eduardo Pazuello não anunciou data para início da imunização. E tampouco uma previsão para o número de vacinados que o governo pretende alcançar.

O Brasil está a poucas horas de registrar oficialmente a marca de 200 mil mortes pela covid-19 no Brasil. E de superar os 8 milhões de casos. Alédm disso, são 50 as nações que já começaram a imunizar seus cidadãos. Diversos outros países já anunciaram programas de vacinação. Cerca de 15 milhões de pessoas em todo o mundo já foram vacinadas.

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Solidariedade às famílias

O ministro iniciou seu pronunciamento se solidarizando com famílias que perderam entes pela covid e com profissionais de saúde. “Graças aos SUS, mais de 7 milhões de brasileiros estão recuperados”, lembrou. Agradeceu ainda à equipe do Ministério da Saúde “empenhada” na vacinação e preparada para executar o plano.

“Tem 60 milhões de seringas nos estados e municípios. Número suficiente para iniciar em janeiro”, afirmou falando na garantia de receber outras 8 milhões de seringas em fevereiro, além de mais 30 milhões já requisitadas. Segundo Pazuello, o Brasil poderá contar com 254 milhões de doses produzidas pela Fiocruz e AstraZeneca e mais 100 milhões do Instituto Butantã e Sinovac. Haveria, ainda, negociações com outros laboratórios, a exemplo da Pfizer. “O Brasil é o único país da América Latina que tem três laboratórios produzindo vacina”, disse o ministro.

O pronunciamento de Eduardo Pazuello


Ex-ministro Padilha lamenta inação

O deputado federal Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde, lamentou o teor do pronunciamento de Eduardo Pazuello. “Desde do final dos anos 70 ministros ocupam a rede nacional para anunciar uma campanha de vacinação. É a primeira vez que o anuncio não tem data, não tem local de vacinação. Nada. Enquanto ministros do mundo mostram números de vacinas aplicadas e pessoas vacinadas, o general que ocupa o ministério de Bolsonaro fala de vacinas pré-contratadas”, disse Padilha.

O ex-ministro disse que Brasil já foi campeão de vacinação e que, na pandemia do H1N1, o país foi o que mais vacinou por um sistema público de saúde no mundo. “Vacinou 80 milhões de pessoas em três meses. Mais de 100 milhões de pessoas em seis meses. E agora o Brasil é passado para trás, pela postura irresponsável de Bolsonaro e do general que ocupa o Ministério da Saúde.”