Datafolha

Reprovação a Bolsonaro sobe e 42% defendem impeachment; 53% rejeitam

Bolsonaro tem a pior avaliação para um segundo ano de mandato. Agravamento da pandemia, falta de oxigênio em Manaus e de vacinas para o Brasil, além o fim do auxílio emergencial agravam situação

Walter Takemoto
No Farol da Barra, em Salvador (BA), 220 cruzes representam as 220 mil pela covid-19: "ou derrubamos esse governo genocida ou não teremos futuro"

São Paulo – A reprovação ao governo Jair Bolsonaro subiu 8 pontos percentuais e superou a aprovação. Para 40% da população o atual presidente da República é ruim ou péssimo, aponta pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (22). No levantamento anterior, feito em dezembro, eram 32%. Já a aprovação de Bolsonaro sofreu a maior queda desde o começo de seu governo. Entre os que o consideram ótimo ou bom, o índice caiu de 37% para 31%, e a taca de regular está em 26%, ante 29% na pesquisa de dezembro. A pesquisa foi feita nesta quarta e quinta-feira ouviu 2.030 pessoas em todo o Brasil. 

Entre as razões para o tombo na popularidade do presidente são apontados o agravamento da pandemia do novo coronavírus, a falta de oxigênio em Manaus e de vacinas para o Brasil. O fim do auxílio emergencial também é visto como motivo para a aumento na reprovação a Bolsonaro. O pagamento às famílias carentes foi interrompido em 31 de dezembro, apesar da alta no número de pessoas desempregadas e do aumento de casos da covid-19. Estima-se entre 10% e 15% o aumento de pessoas que passará a viver em extrema pobreza com o fim do auxílio, que pode chegar a 23 milhões de brasileiros.

Bolsonaro é o pior

No estágio atual, o início do segundo ano de governo, Bolsonaro mantém a pior avaliação registradas entre os eleitos em primeiro mandato desde 1989, segundo o Datafolha. Só perde o ex-presidente Fernando Collor (PRN), teve rejeição maior, de 48%, ante aprovação de 15%, em 1992. Mas já estava atolado nas denúncias que levaram à aprovação do seu impeachment e à sua renúncia.

Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tinha nessa fase do mandato 47% de aprovação e 12% de reprovação. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contava com 45% e 13%, respectivamente. Já ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) contava, no início do seu segundo ano, no primeiro mandato, com 62% de aprovação e 7% de rejeição.

Metade dos brasileiros considera, ainda, que Jair Bolsonaro não tem capacidade para governar: são 50% contra 46% que o consideram capaz. Também é considerado um presidente “inconfiável” para metade dos brasileiros, avalia o Datafolha. São 41% os que nunca confiam em sua palavra; 38% confiam às vezes e 19% sempre.

Impeachment de Bolsonaro

Mesmo com a queda na aprovação, a maioria dos brasileiros não quer que Bolsonaro sofra um processo de impeachment, segundo a pesquisa Datafolha. A Câmara dos Deputados não deve abrir um processo de crime de responsabilidade contra o atual presidente para 53% dos entrevistados. Defendem o impeachment 42% e não sabem 4%. Ainda segundo o Datafolha, 51% rejeitam a renúncia de Bolsonaro e 45% defendem a medida.

O fim do governo Bolsonaro via processo de impeachment é um assunto debatido por juristas renomados. A mesa diretora da Câmara dos Deputados soma 61 pedidos de processos contra o presidente da República. Quatro foram arquivados pelo ainda presidente da Casa, Rodrigo Maia, que deve deixar o cargo em fevereiro. Os outros todos estão sob análise. Os partidos de oposição a Bolsonaro devem apresentar um novo pedido nos próximos dias, pela inação diante da crise no sistema de saúde  que matou centenas de pessoas.  

Neste sábado (23), estão marcadas carreatas em todo o Brasil para cobrar dos deputados federais e senadores o impeachment de Bolsonaro.

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