Repercussão

Portal da Transparência fora do ar provoca indignação nas redes sociais

“Isto jamais aconteceu na história Brasileira! Pegamos o rabo da ratazana. Alô Ministério Público, vai ficar por isso mesmo?”, pergunta no Twitter o ex-candidato à presidência Ciro Gomes

Fotos Públicas / RS
Bolsonaro: um dos destaques do gasto que provocou revolta foi a informação de que o governo gastou R$ 15,6 milhões em leite condensado e R$ 2,2 milhões em chicletes

São Paulo – O Portal da Transparência, do governo federal, saiu do ar na noite desta terça-feira (26), depois que ganhou repercussão o gasto do Executivo em 2020 com alimentação, num total de R$ 1,8 bilhão. Na manhã desta quarta, o termo “Portal da Transparência” subiu ao trending topics do Twitter, revelando indignação da sociedade com a tentativa do governo de ocultar os gastos.

Um dos destaques do gasto que provocou revolta foi a informação de que o governo gastou R$ 15,6 milhões em leite condensado e R$ 2,2 milhões em chicletes. Em bombons, o governo gastou R$ 8,8 milhões, valor superior ao pago em arroz, de R$ 7,6 milhões.

“O canalha que nos governa tirou o Portal da Transparência do ar! Isto jamais aconteceu na história Brasileira! Pegamos o rabo da ratazana. Alô Ministério Público, vai ficar por isso mesmo?”, pergunta no Twitter o ex-candidato à presidência Ciro Gomes (PDT-CE).

O Portal da Transparência foi lançado em 2004, no governo Lula, para dar visibilidade às compras feitas com recursos públicos pelo governo e órgãos federais de administração,

A deputada Jandira Feghali (PcdoB-RJ), ainda com informações do portal, destacou que “o endereço da grande empresa que forneceu mais de 15 milhões de reais em leite condensado fica no subsolo de um pequeno prédio comercial no bairro residencial do Sudoeste, em Brasília. Aparentemente, não é uma sede grande responsável por compras em milhões”.

“Não há precedentes em nossa história republicana para ato tão ofensivo a transparência pública”, destacou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Empresa fornecedora

Em uma sequência de tuites com dados do portal, o perfil @Boscardin levantou dúvidas sobre a empresa “Saúde & Vida Comercial de Alimentos Eireli” do ramo alimentício que faturou R$ 37 milhões em contratos com o governo federal – sendo R$ 12 milhões para fornecimento ao Comando das Forças Armadas.

Segundo as informações divulgadas na sequência, a empresa pertence a Azenate Barreto Abreu, que é casada com o pastor Elvio Rosemberg da Silva Abreu e mãe de Elvio Rosemberg da Silva Abreu Júnior, que também fechou contrato no valor de R$ 25 milhões com o governo. Eles seriam de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, mas a sede da empresa seria em Brasília.

A julgar pelas fotos do Facebook do senhor Elvio e dona Azenate, ambos levam uma vida modestíssima para quem faturou com as empresas da família R$ 37 milhões de reais. Parecem pessoas simples. O filho não disponibiliza as fotos no Face. Resta averiguar se eles efetivamente tem envolvimento com as empresas ou se utilizaram seus nomes. Tudo pode estar em ordem. Porém é curioso que empresas individuais de pessoas aparentemente sem ligação com o ramo da alimentação sejam fornecedores de contratos de milhões para o governo no ramo da…alimentação”, afirmou @Boscardin, que se identifica como jurista, “bloqueado pelo presidente brasileiro”.

Com informações da Revista Fórum