Saída pela unidade

Com Tarso Genro, TVT estreia programa semanal para debater unidade da esquerda em 2022

Na série ‘República e Democracia: o futuro não espera’, divergências dão lugar a pontos comuns, inspirados na ‘Geringonça’ portuguesa, união que levou à vitória as forças progressistas e protege o país lusitano da ascensão da extrema-direita

Reprodução
Programa estreia na próxima terça (19), às 22h30, na TVT, com a entrevista de Ciro Gomes (PDT). Série de diálogos também reunirá Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (Psol) e Manuela D'Ávila (PCdoB), entre outros nomes

São Paulo – A TVT transmite, a partir das 22h30 desta terça-feira (19), a primeira entrevista de seu novo programa semanal, República e Democracia: o futuro não espera. A série, que também será veiculada no mesmo dia e horário pela Rádio Brasil Atual, trará 12 lideranças da esquerda e centro-esquerda brasileira em busca de “consensos estratégicos” para a construção de uma unidade progressista, com vistas às eleições presidenciais de 2022. O objetivo é que essa aliança seja capaz de barrar os retrocessos que se acumulam no país desde o golpe de 2016.

As entrevistas serão mediadas pelo ex-ministro e ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), e pelo doutor em Direito e presidente do Instituto Defesa da Classe Trabalhadora (Declatra), Wilson Ramos Filho, o Xixo. O vice-presidente do PDT, Ciro Gomes, é o primeiro convidado do programa. Também já estão confirmados diálogos com Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (Psol), Flávio Dino (PCdoB), Manuela D’Ávila (PCdoB), José Dirceu (PT), Roberto Requião (MDB), Luiza Erundina (Psol), Marina Silva (Rede), Aloizio Mercadante (PT) e o ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. 

Uma das primeiras vozes políticas a defender a construção de uma frente ampla de esquerda, Tarso Genro explica que a metodologia das entrevistas “visa buscar pontos comuns nas ideias apresentadas pelos entrevistados”. De acordo com o ex-ministro, essa é uma forma de “contrariar o que é normal em nosso meio”. A verificação dos ‘dissensos’ entre as esquerdas. Não de ‘consensos’ superiores que possam informar um programa concertado, para unificar uma nova pluralidade de forças com propósito de enfrentar a decadência da República e a crise da democracia liberal”, destaca.

Reprodução

União contra o bolsonarismo

A pauta, ainda segundo os organizadores, será em torno do Pacto Democrático de 1988, ou seja a promulgação da Constituição Federal. E deve explorar também as áreas de economia, políticas sociais e o enfrentamento da pandemia. Temas hoje descartados pelo governo de Jair Bolsonaro

Logo que divulgou o projeto, no final de dezembro, Tarso reforçava à imprensa que não descartava a existência de até três opções que devem se apresentar como oposição nas próximas eleições.

Mas o intuito, já observava o ex-ministro, é de que essas candidaturas “tenham desde o começo uma identidade comum”, construída com diálogo, “para manter os projetos unidos em um eventual segundo turno contra o bolsonarismo”. 

Geringonça e Frente Ampla

O programa é também um projeto da revista virtual Democracia e Direitos Fundamentais (DDF) e do Instituto Novos Paradigmas (INP). A organização também conta com personalidades da esquerda brasileira e estrangeira, como o sociólogo português Boaventura de Souza Santos.

Portugal, aliás, é também uma inspiração para os organizadores, que seguem a metodologia da “Geringonça” portuguesa. A aliança dos partidos progressistas do país, que os levou à vitória em 2015 e vem barrando a ascensão da extrema-direita. Uma referência do que deve ser feito no Brasil para a “retomada de um novo ambiente de civilidade democrática”, afirmam. Outro exemplo para a construção do projeto é a Frente Ampla do Uruguai. A coalizão que se consagra com a integração de diferentes partidos políticos progressistas com organizações da sociedade civil.

“Mesmo que não esteja no escopo do projeto, o slogan ‘o futuro não pode esperar’ sinaliza para 2022. Deixando claro que a articulação deve começar o quanto antes”, reforçam os organizadores. 

A TVT transmitirá o programa República e Democracia: o futuro não espera todas às terças, às 22h30. Você pode acompanhar pelo canal 44.1 da Grande São Paulo ou pelas redes sociais.

(*) Com informações do Sul21 e do jornal O Estado de São Paulo