Destino

Em 2021, eleição na Câmara deve definir o futuro do governo Bolsonaro

Apoiado pelo Planalto, Arthur Lira poderia significar o aprofundamento das pautas conservadoras de Bolsonaro. Baleia Rossi e pressões externas podem ser freios a essa agenda

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Bolsonaro negocia cargos e emendas em troca do apoio dos parlamentares à eleição de Lira para o comando da Câmara

São Paulo – As eleições para o comando das duas Casas do Congresso Nacional, em 1º de fevereiro de 2021, serão cruciais para definir os rumos do governo Bolsonaro para os próximos dois anos. Especialmente a disputa na Câmara dos Deputados é prioridade do Palácio do Planalto. Além de definir a pauta de votação, também é atribuição exclusiva do presidente da Câmara decidir sobre o prosseguimento de pedidos de impeachment contra o chefe do Executivo.

De um lado, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL) conta com o apoio do governo federal, que vem inclusive oferecendo cargos e emendas na tentativa de garantir o apoio dos parlamentares do chamado Centrão. Do outro, Rodrigo Maia (DEM-RJ) costurou inédito arco de alianças, que inclui partidos que vão da centro-direita à esquerda, na tentativa de emplacar Baleia Rossi (MDB-SP) como seu sucessor.

Segundo o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, uma eventual vitória de Lira na Câmara significaria o aprofundamento das pautas conservadoras do governo Bolsonaro. Liberação das armas, ataques a minorias e flexibilização das normas ambientais estariam entre os principais objetivos.

Já sob o comando de Baleia Rossi, com o apoio dos partidos de oposição, essas pautas seriam contidas. Em última instância, até mesmo um o impeachment de Bolsonaro poderia ser colocado em votação. O que dependeria do agravamento das denúncias envolvendo a família presidencial ou da deterioração da situação econômica, em função da pandemia.

“O novo presidente da Câmara terá o papel de referendar ou bloquear as pautas morais do governo Bolsonaro. Por isso que 2021 talvez seja o ano mais importante para a sua administração. Seja para alavancar suas pautas ou pelo fracasso absoluto do seu governo”, afirmou Niccoli, em entrevista ao Jornal Brasil Atual nesta segunda-feira (28).

Fatores externos e internos

Por outro lado, o cenário internacional também deve impor desafios a Bolsonaro. Além da relação conflituosa com a China, o isolamento do governo brasileiro deve aumentar com a posse de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos. Figuras nomeadas por ele para o primeiro escalão são críticos à postura do mandatário brasileiro nas questões ambientais e de direitos humanos.

Além disso, o Tribunal Penal Internacional (TPI) deve se manifestar sobre a acusação de genocídio contra Bolsonaro e o seu governo. Soma-se, ainda, o negacionismo em relação à gravidade da pandemia, que é visto com maus olhos por organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Contudo, Bolsonaro ainda sustenta cerca de 30% de apoio entre o eleitorado brasileiro. As próprias pautas moralistas também serviriam para dar resposta a essa parcela da população. Além de encobrir as ações, ou falta de ações concretas, em outras áreas. Contudo, as eleições municipais revelou o “esgotamento” desse tipo de estratégia, já que os candidatos apoiados por Bolsonaro não conseguiram se eleger. “A tendência é que Bolsonaro tenha grandes dificuldades para governar o país no ano que vem”, disse Ramirez.

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