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Paes mantém ampla vantagem sobre Crivella em nova pesquisa Datafolha

Faltando três dias para o segundo turno das eleições 2020, Datafolha é mais um instituto de pesquisa que aponta franco favoritismo do candidato do MDB no Rio de Janeiro

divulgação
Crivella faz sua campanha colado à figura de Jair Bolsonaro. Estratégia que já fracassou em outras cidades, segue mesma tendência

São Paulo – A mais nova pesquisa Datafolha sobre o segundo turno da eleição a prefeito do Rio de Janeiro mostra a manutenção da vantagem de Eduardo Paes (DEM) sobre o atual prefeito, Marcelo Crivella (Republicanos). O ex-prefeito aparece com 55% das intenções de voto, enquanto o candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro está com 23%. Em branco e nulos somam 18%. Não votariam em nenhum dos dois ou não souberam opinar representam 5%.

Em relação à última pesquisa Datafolha realizada na capital carioca, divulgada no dia 19, Paes variou um ponto percentual para cima e Crivella, dois. Indecisos também variaram dois pontos para cima, enquanto brancos e nulos subiram 4 pontos.

Ibope Rio mostra Paes estável e com ampla vantagem sobre Crivella

Entre os votos válidos (excluídos brancos, nulos e indecisos), Paes tem 70% e Crivella 30%, segundo o Datafolha. Entre os eleitores ouvidos, 90% afirmaram estar totalmente decididos e 9% dizem que ainda podem mudar. Com margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, a pesquisa ouviu 1.148 eleitores entre terça-feira e ontem (24 e 25). O índice de confiança apresentado pelo instituto é de 95%.

Cenário carioca

O cientista político e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luiz Eduardo avalia que, mesmo com a vantagem de Paes, o cenário é de intensa disputa. “Se você assistir a um debate do Rio de Janeiro para comparar, o debate de São Paulo parece entre dois lordes ingleses. Aqui está acirrado, com troca de farpas muito tensas” afirmou, em entrevista para a jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

Luiz Eduardo vê Crivella com postura “agressiva e desesperada”. Em contrapartida, Paes ampliou significativamente os apoios para o segundo turno. “Paes está construindo um arco-íris. Tem apoio de gente do Psol, passando pelo PT, PSD. É enorme a quantidade de eleitores de vários segmentos votando no Paes.”

O cientista político lembra que este fenômeno não é novo no Rio de Janeiro. Mesmo Paes integrando um partido de direita, conquista o voto útil de diversos setores. Algo que aconteceu também em 2018. “Dois anos atrás muita gente votou no Paes contra o Witzel. Mas não impediu a onda bolsonarista”, avalia.

Sobra a realidade atual do bolsonarismo no Rio, Luiz Eduardo afirma que “tal como em São Paulo”, refluiu. “Isso está muito caracterizado no desempenho limitado do Crivella. Instituiu-se no Rio de Janeiro um ‘fora Crivella’. Isso está bem cimentado (…) Paes tem batido mais no Crivella em aspectos mais ligados à direita e às mentiras do candidato.”