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‘Fugitivo’, Atila vira alvo em debate dos candidatos em Mauá

Preso duas vezes durante o mandato, Atila Jacomussi (PSB), que não participou do debate, também foi acusado de negligência à frente da administração municipal em Mauá, no ABC Paulista

Reprodução/TVT
Candidatos à prefeitura de Mauá usaram máscaras e respeitaram o distanciamento durante o debate

São Paulo – O prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), que concorre à reeleição, foi o alvo principal dos candidatos à prefeitura da cidade no ABC Paulista, durante debate ocorrido na noite desta terça-feira (3). Além das duas prisões do prefeito em escândalos de corrupção, os adversários também apontaram “descaso” nas áreas de Saúde e Educação.

O debate com os candidatos à prefeitura de Mauá foi promovido pela TVT e pela Rádio Brasil Atual. O evento foi realizado em parceria com UOLDiário do Grande ABC e Universidade Federal do ABC (UFABC).

Zé Lourencini (PSDB) e Vanessa Damo (MDB) também optaram por não participar. Já Amanda Bispo (UP), Policial Federal Mauro Roman (PRTB), Doutora Roseni (PMN) e Caio Túlio (PCO) não cumpriram exigência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que assegura a participação conforme o tamanho da bancada de seus partidos no Congresso Nacional.

“O atual prefeito desviou dinheiro da merenda das crianças”, destacou o ex-prefeito Donisete Braga (PDT). Marcelo Oliveira (PT) classificou Atila como “fugitivo”, por ter se recusado a debater a cidade. O candidato do Psol, André Sapanos, acusou as administrações anteriores de “saquearem os cofres da cidade”.

Além dos casos de corrupção, os candidatos também abordaram as ocupações irregulares na cidade. Segundo Sapanos, que prometeu a realização de programas habitacionais, as administrações anteriores permitiram as ocupações irregulares, com “medo” de perderem votos.

“Se as pessoas ocupam áreas públicas, é por incompetência do prefeito Atila”, disse Donisete. Para o Professor Betinho (PSL), assim como Holambra era conhecida como a cidade das flores, Mauá passou a ser reconhecida como a cidade da “da sub-habitação e da invasão”.

Donisete apontou a “corrupção” como o principal problema de Mauá, mas foi acusado por João Veríssimo (PSD) de fazer parte de esquema relacionado à Odebrecht. Ele foi citado por executivos da empreiteira que fizeram delação premiada.

Apoios

Enquanto Ronaldo Pedrosa (PP) sinalizou com “bom relacionamento” com os governos estadual e federal para atrair recursos para Mauá, o Professor Betinho (PSL) disse contar com o apoio dos parlamentares do seu partido para captar verbas.

Por outro lado, Marcelo Oliveira destacou que o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o que mais transferiu recursos para Mauá. “Era uma relação democrática, que não olhava as cores (partidárias)”. Ele também destacou o consórcio intermunicipal do ABC como importante ferramenta de diálogo com as outras esferas.

Já André Sapanos disse que o discurso de colaboração dos adversários tinha cheiro de “hipocrisia”, já que tanto o governador João Doria (PSDB) como o presidente Jair Bolsonaro aprovaram “reformas” que retiraram direitos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores. “Nossa relação com o governo federal é de dar graças a Deus que ele vai embora daqui a dois anos, porque vai perder as eleições”, disparou.

Saúde e Educação

Oliveira prometeu a construção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), no Parque das Américas. Além das filas no atendimento, ele citou a falta de médicos e medicamentos. Pedrosa prometeu criar duas novas UPAs em 24 horas. Donizete citou a demora de até cinco meses para as mulheres conseguirem realizar um exame de papanicolau, importante para a prevenção de câncer de colo do útero. Sapanos prometeu a construção de um laboratório na cidade.

Além disso, Donizete também citou a falta de vagas nas creches, prejudicando as mães que precisam trabalhar. Segundo Oliveira, são cerca de 4 mil crianças que buscam uma vaga na educação infantil. Sapanos prometeu reduzir de três para dois turnos, ampliando o tempo de permanência das crianças nas escolas. Pedroza também prometeu ampliar o funcionamento das creches até às 21h.

Confira a íntegra do debate

Temperatura

Para Paulo Donizette de Souza, editor-chefe da Rede Brasil Atual, com a ausência de Átila, o debate de Mauá foi “morno”, sem muitos embates entre os candidatos. O destaque, segundo ele, ficou para Sapanos, pelas críticas contundentes ao governo federal e estadual. Por outro lado, ele também destacou que a extensão territorial, combinada com a falta de planejamento urbano, torna o município carente de recursos públicos, em especial para obras de infraestrutura e habitação.

Assista à análise

Redação: Tiago Pereira – Edição: Helder Lima


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