ataque à democracia

TSE reage a onda de ‘fake news’ sobre urnas eletrônicas

Mentiras sobre as urnas eletrônicas encontram eco inclusive em lideranças políticas. Estudo da FGV identificou que essas notícias falsas são amplamente compartilhadas nas redes sociais

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Os conteúdos falsos somam mais de 30 milhões de engajamento, entre visualizações e outras interações

São Paulo – As fake news, ou notícias falsas, e mentiras políticas inundam a internet nos últimos anos. Propagada majoritariamente por redes sociais, os conteúdos falsos, difamatórios ou levianos minam a democracia ao confundir o eleitorado. Além de ataques pessoais, a grupos sociais e partidos políticos, no Brasil as mentiras atacam o próprio sistema eleitoral.

Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revelou que notícias falsas sobre urnas eletrônicas estão entre as atualmente mais compartilhadas nas redes. O trabalho, intitulado “Desinformação On-line e Eleições no Brasil: A circulação de links sobre desconfiança no sistema eleitoral brasileiro no Facebook e Youtube (2014-2020)“, identificou 337.204 publicações sobre o tema no Facebook e 335.169 no Youtube no período estudado. Os conteúdos somam mais de 30 milhões de engajamentos, entre visualizações, compartilhamentos e outras interações.

A intensidade com que as peças são produzidas aumenta exponencialmente em anos de eleições. “O tema com maior engajamento tanto no Facebook quanto no YouTube, entre 2014 e 2020, foi o funcionamento e o questionamento sobre possíveis fraudes nas urnas eletrônicas”, afirma o TSE.

Diante dos dados, considerados “assustadores”, foram ampliados os programas de combate às fake news. “O Tribunal Superior Eleitoral busca fortalecer o programa de enfrentamento à desinformação com mais dados para toda a sociedade construir ações de maneira mais transparente e ágil. Assim como buscamos reforçar a necessidade de uma política específica sobre as eleições brasileiras nas plataformas digitais”, completa o órgão, em nota.

Aliados do caos

Até mesmo políticos eleitos pelo sistema de urna eletrônica divulgam ataques e desinformação sobre o tema. Entre eles está o próprio Jair Bolsonaro. O presidente instiga teorias conspiratórias contra as urnas eletrônicas e defende a volta do voto em papel.

Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, derrotado nas eleições deste ano e maior “inspirador” de Bolsonaro, questiona o método de votação impressa. Bolsonaro publicamente admira Trump e demonstra apoio frequentemente, mesmo sem a devida recíproca. Ambos agem conforme a cartilha da extrema direita, aderindo e divulgando teorias conspiratórias por meio de fake news, independentemente do sistema eleitoral. A ideia é sempre atacar e desqualificar a democracia.

Exemplos

Na página da Justiça Eleitoral, algumas fake news sobre o processo eleitoral são desmascaradas. Uma delas já havia circulado nas redes sociais em 2018 e agora voltou com amplo alcance. A mentira diz que o TSE havia recusado uma consultoria do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e do Instituto Militar de Engenharia (IME) para o retorno do voto impresso.

As três instituições envolvidas desmentiram a existência desta proposta de consultoria ou mesmo da existência deste projeto.

Outro tema alvo de uma grande quantidade de fake news é de que as urnas eletrônicas seriam licitadas por empresas comandadas por estrangeiros, todos eles ligados de alguma forma a ideologias “comunistas”. Os preferidos dos mentirosos são venezuelanos, cubanos e até russos.

O Tribunal desmente oficialmente. “Em nota de esclarecimento publicada em 2018, o TSE já havia informado que a notícia era falsa (…) A empresa responsável pelos módulos impressores das urnas tem sede no EUA e, além disso, em nenhum momento a referida empresa teve acesso a quaisquer códigos das urnas”, comunicou.

Por fim, o TSE lembra que as urnas possuem auditoria aberta. “A respeito da segurança do processo de votação, o TSE destaca que a urna eletrônica, utilizada desde 1996 nas eleições brasileiras, é auditável, além de os sistemas serem abertos para fiscalização e possibilidades de aperfeiçoamento.”