Reta final

Em carta e em evento on-line, empresários e economistas manifestam apoio a Boulos

“Alguns dos dogmas mais rigorosos do sistema econômico estão sendo questionados”, dizem empresários em carta. Em outro manifesto, economistas explicam por que apoiam plano econômico de Boulos

Reprodução/Youtube
Laura Carvalho (esq.), Guilherme Mello e Monica de Bolle apoiam proposta inclusiva do plano econômico de Boulos e Erundina

São Paulo – Um grupo de cerca de 50 empresários e executivos divulgou carta de apoio ao candidato à prefeitura de São Paulo pelo Psol, Guilherme Boulos, contra Bruno Covas (PSDB). O documento é intitulado “Boulos e a necessidade de inovação na gestão de São Paulo”. A notícia foi dada pelo jornal Valor. O grupo se define como do setor produtivo e financeiro, com representantes de diversos ramos de atividade. “Num mundo pós-pandemia, em que o debate gira em torno da necessidade de ampliação da rede de proteção social e de se orientar ações por princípios ambientais, sociais e de governança, alguns setores da sociedade ainda insistem em defender fórmulas anacrônicas e ineficientes”, afirma o documento.

Os empresários destacam a importância da “inversão de prioridades na alocação dos recursos públicos, colocando a periferia no centro do debate”. Enfatizam que a viabilidade econômica será obtida com “o enfrentamento à corrupção, à revisão dos contratos com estabelecimentos de incentivos corretos e à cobrança mais efetiva da dívida ativa”.

Além disso, “o grupo endossa que, se eleito, Boulos governará com responsabilidade fiscal e manterá diálogo com a iniciativa privada, mantendo o foco no interesse público, como ele próprio tem enfatizado ao longo do segundo turno”.

De acordo com o grupo, o PSDB enfraqueceu a Controladoria Geral do município e tem um baixo índice de recuperação da dívida ativa.

O documento refuta as críticas a Boulos quanto à sua suposta inexperiência e afirma que o debate sobre o próximo prefeito paulistano “deve ir além” de questões de contabilidade. Isso porque, dizem os autores, uma candidatura no atual cenário deve privilegiar o conceito de sustentabilidade, incluindo na agenda aspectos econômicos, sociais, ambientais e de governança. “Nosso mundo mudou profundamente nos últimos oito meses. Alguns dos dogmas mais rigorosos do sistema econômico estão sendo questionados”, diz o documento.

“Não é comunismo, não é irresponsabilidade fiscal. É um olhar para ver o que é prioridade como cidade, com a iniciativa privada fazendo parte disso. A iniciativa privada não está sendo demonizada, senão não faria sentido nós, empresários e economistas, apoiarmos essa candidatura”, disse o empresário João Paulo Pacífico.

A carta é assinada, “em nome do grupo”, por Flávia Aranha (estilista e empresária B), Marcel Fukayama (empresário B), Fabio Gordilho (empresário B), Marco Gorini, (empresário B), Eliana Lopes (empresária), Eduardo Moreira (ex-banqueiro de investimentos), José Paulo Moutinho Filho (advogado corporativo), João Paulo Pacífico (empresário B), (Luis Rheingatntz (empresário do agronegócio), Greta Gogiel Salvi (empresária B), Nina Silva (CEO do Movimento Black Money).

Economistas com Boulos e Erundina

Em manifesto online transmitido na quinta-feira (27) , “Economistas com Boulos e Erundina” defenderam o plano econômico da chapa. Laura Carvalho (USP), Monica de Bolle (Instituto  Peterson), Luiz Carlos Bresser-Pereira (Fundação Getúlio Vargas), Marco Antônio Rocha (Instituto de Economia da Unicamp), entre outros, justificam seu apoio.

Confira trechos de alguns depoimentos:

 “O programa de Boulos e Erundina é estratégico, com uma visão estratégica, tendo como eixo central a pandemia e articulando todas as políticas em torno da pandemia.” (Monica de Bolle – Instituto Patteson).

“Dentro das propostas do Guilherme, em todas as áreas está o combate à desigualdade, as escolhas por aquilo que as pessoas da base da pirâmide, os mais vulneráveis, estão realmente precisando.” (Laura Carvalho – Universidade de São Paulo).

“É a prioridade na luta pelos pobres, é a prioridade por uma vida mais segura a participativa.” (Luiz Carlos  Bresser-Pereira – Fundação Getúlio Vargas).

“Quando você gasta dinheiro com quem tem pouco, esse dinheiro se multiplica na sociedade, no mercado, na venda da esquina, na sua comunidade. A cidade de São Paulo tem recursos tanto em caixa como tem um montante de dividas a ser cobradas. A questão é no que e com quem você vai gastar. A grande mensagem do programa do Guilherme é que nós como sociedade temos o dever de sonhar com uma cidade mais justa, mais solidária, mais igualitária.” (Guilherme Mello – Universidade Estadual de Campinas – Unicamp)

“O orçamento público é uma coisa do povo,  tem que ser um instrumento no enfrentamento das desigualdades. O programa parte do principio de que a gente precisa recuperar a economia de São Paulo.”  (Marco Antônio Rocha – Unicamp).

“É uma ideia de inversão de prioridades. De olhar para as demandas sociais que são mais claras, mais latentes. É preciso recuperar as responsabilidades que os governantes têm para  com o desemprego.”  (Pedro Rossi – Unicamp).