Eleições 2020

Disputa nas ruas e nas redes sociais decidirá segundo lugar no Rio de Janeiro

Benedita da Silva e Martha Rocha centram campanha na conquista do voto dos indecisos para tirar de vez Marcelo Crivella de cena e ir pra rodada final contra Eduardo Paes

Reprodução
Eduardo Paes está garantido no segundo turno. Crivella disputa com Benedita e Martha vaga no segundo turno se intensifica

Rio de Janeiro – Os cariocas que comparecerem às urnas no domingo (15) decidirão uma das mais abertas disputas para prefeito do Rio de Janeiro desde a redemocratização. Apenas duas certezas existem antes do veredicto dos eleitores. A primeira delas é que o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), que lidera com conforto todas as pesquisas de intenção de voto, já está no segundo turno. A segunda certeza é que o atual prefeito Marcello Crivella (Republicanos), com um índice de rejeição de 62%, segundo a pesquisa do Instituto Datafolha realizada a cinco dias da votação, não será reeleito.

O rejeitado prefeito do Rio perderia para qualquer um dos principais adversários no segundo turno e vê a cada dia aumentarem as chances de ser ultrapassado já neste primeiro turno por pelo menos uma das duas candidatas do campo progressista – Martha Rocha (PDT/PSB) e Benedita da Silva (PT/PCdoB) – que aparecem empatadas com ele dentro da margem de erro das pesquisas. Diante desse quadro, o que se vê nos últimos dias de campanha eleitoral é uma briga voto a voto pelo segundo lugar e pelo direito de enfrentar Paes em nova disputa.

Militância

As estratégias são distintas. O PT, mesmo em tempos de pandemia e campanha tímida nas ruas, aposta na tradicional força da boca de urna de sua militância para levar Benedita da Silva ao segundo turno.

Após concentrar seus esforços nas duas últimas semanas em conquistar o eleitorado evangélico que rejeita Crivella, e na busca pelo voto útil do eleitorado de esquerda, a direção de campanha petista dedicou os últimos dias às favelas e bairros populares, onde Benedita historicamente tem bom desempenho. O objetivo é atingir o eleitorado jovem.

Para isso, na noite de quinta-feira (12) a candidata realizou uma live com a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representantes de rádios e tevês comunitárias, sites e agências de notícia de diversas comunidades do Rio.

“Pelo entusiasmo nas ruas e o acolhimento das pessoas nas favelas e bairros populares, tenho certeza de que irei para o segundo turno. Nossas propostas de mudança estão chegando agora à base do eleitorado. Pude perceber que muita gente está optando por nossa candidatura”, afirma Benedita.

A petista diz acreditar na possibilidade de a candidatura de Crivella derreter ainda mais às vésperas da votação. E que o apoio do presidente Jair Bolsonaro possa ser o chamado abraço de afogado. “Acredito que o clima de respeito à democracia que toma conta do mundo depois da derrota de Donald Trump venha influenciar. O eleitor carioca já cansou do discurso de ódio de Bolsonaro.”

Voto útil

A campanha de Martha Rocha adotou nos últimos dias a estratégia de aproveitar a rejeição a Crivella e pedir o voto útil dos cariocas. Na disputa com Benedita, a estratégia do PDT é convencer o eleitor de que Martha é a única que pode tirar Crivella do segundo turno.

Paralelamente à tentativa de afirmação como segunda colocada no imaginário do eleitor, Martha já mira também em Eduardo Paes (DEM). O ex-prefeito aparece com 34% na pesquisa Datafolha. Segundo a projeção para o segundo turno, venceria a pedetista por 11 pontos percentuais (46% a 35%): “Dá para sonhar com a virada. Primeiro vamos tirar Crivella do segundo turno. Depois construir as alianças para derrotar Paes, que terá o apoio de Bolsonaro”, diz Martha.

“Liquidar a fatura”

Assistindo de camarote, Eduardo Paes aproveitou os últimos dias de campanha para tentar um improvável impulso para evitar segundo turno. Ao contrário do PT, a estratégia do DEM foi concentrar a presença de seu candidato nos bairros da zona sul do Rio de Janeiro. A ideia é “conscientizar” os eleitores de maior renda. “Falei aos eleitores sobre o perigo de deixar Crivella chegar ao segundo turno. O carioca tem uma oportunidade ímpar de liquidar a fatura já no próximo domingo. Basta votar em Eduardo Paes”, diz o candidato.

Outro alvo de Paes na reta final foi Martha Rocha, que sofreu grande campanha de desconstrução na propaganda eleitoral gratuita do ex-prefeito. O PDT, por sua vez, deu entrada em uma ação na Justiça Eleitoral contra a candidatura do DEM. Segundo os advogados do partido, Paes articulou e financiou uma rede de ataques pessoais contra Martha na internet.

Sobre a incômoda declaração de intenção de apoio por Bolsonaro, a direção da campanha de Paes diz não ter havido nenhuma conversa nesse sentido. Segundo fontes palacianas, Bolsonaro teria dito que “a prioridade é não deixar a candidata do Ciro nem a candidata do Lula ganhar no Rio”. “Não aceitaremos o apoio de nenhuma figura nacional. Nossa intenção é mostrar que Paes é o melhor para o Rio, independentemente do cenário nacional”, diz o DEM.