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Debate de São Bernardo tem confronto de gestões entre Luiz Marinho e Morando

Altrão, do PSB, acusou Morando de demitir trabalhadores da saúde para contratar cabos eleitorais. Criação de empregos foi unanimidade entre as propostas

TVT
Morando e Marinho trocaram farpas: de acusações de corrupção a abandono de obras

São Paulo – O debate entre os candidatos à prefeitura de São Bernardo do Campo, transmitido pela TVT, foi marcado pela troca de acusações de corrupção entre o ex-prefeito Luiz Marinho (PT) e o atual Orlando Morando (PSDB). À frente nas pesquisas de intenção de voto, Morando também foi alvo de denúncia do candidato Dr. Leandro Altrão (PSB). O médico considera a atual gestão como o principal problema que “atolou a cidade”.

Alvo de críticas, por ser o atual prefeito com demandas não atendidas pela administração, Orlando Morando deixou perguntas e comentários sem resposta. Sobretudo as relacionadas ao abandono de obras, à ausência de ações no plano da mobilidade e ao não cumprimento da promessa de fazer com que a linha 18 do metrô chegasse à cidade. “Morando não explica por que a boa relação com Doria não garantiu a linha 18 do metrô. Temos de olhar a governança regional”, criticou Marinho.

Para ele, os escândalos de corrupção que atingem o prefeito Morando deixam seu governo sem credibilidade. “Qual empresa quer ficar numa cidade assim?”, questionou, ressaltando a saída de grandes indústrias de São Bernardo, como a Ford. “Para piorar a situação existe um verdadeiro cabide de empregos para reeleger o prefeito. Tem cabo eleitoral ganhando 5 mil por mês e os agentes de saúde que ganhavam mil foram demitidos”, afirmou. “Vamos destucanizar São Bernardo do Campo, essa é a solução” disse Altrão.

O debate contou ainda com as participações de Maria de Lourdes de Souza, da chapa coletiva do Psol, e de Rafael Demarchi (PSL). Dividido em três blocos, contou com duas perguntas iguais para todos os candidatos que responderam por ordem alfabética sobre os principais problemas e soluções para a cidade e o relacionamento que o prefeito deve ter com os governos estadual e federal.

Corrupção em pauta

No segundo bloco, os candidatos responderam a perguntas previamente gravadas por jornalistas dos veículos parceiros na realização do debate: TVT, UOL, Diário do Grande ABC, Rádio e Rede Brasil Atual. No terceiro, os candidatos perguntam entre si conforme sorteio realizado com a presença das candidaturas.

Foi nessa parte do debate que os ânimos se acirraram entre Morando e Marinho. O ex-prefeito rebateu acusações feitas pelo atual gestor da cidade, de ter deixado obras abandonadas. E afirmou que os trabalhos que estavam sendo realizados contra as enchentes no centro de São Bernardo foram paralisados por Morando. “Como consegue dormir à noite após levar a três mortes com isso?”, questionou Marinho. O candidato do PSDB mencionou as pesquisas que dão aprovação a seu mandato. Voltou a falar em corrupção dos governos petistas e mencionou o cartão merenda distribuído às mães e milhares de cestas básicas que conseguiu como doação de “empresários amigos” na semana em que esteve no hospital internado pela covid-19.

“De cesta básica ele entende, deixou estragar milhares”, criticou Marinho. “Estou falando de um mandato inteiro, de segurança alimentar”, comparou o ex-prefeito, destacando que laudo do IPT feito sobre suas obras não identificou irregularidades. “Quer falar de corrupção? Tem Paulo Preto, José Serra, Aécio Neves. Você tem pedidos de afastamento pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) em função do Rodoanel”, continuou. O prefeito Orlando Morando, nesse momento, se exaltou: “Lave a boca pra falar de corrupção, você não é a pessoa mais recomendada”, disse. “O que importa é o maior plano de obras que entreguei. E algo que me orgulho muito: entreguei uniforme e material escolar no prazo.”

Direito de resposta

Depois de receber acusações, Marinho pediu direito de resposta aos organizadores. O ex-prefeito apresentou uma série de reportagens que implicam a administração de Morando em casos de corrupção, e que ainda são objeto de investigação, e ressaltou não ter pendências com a Justiça. “Eu fui acusado injustamente e inocentado. Dá para votar num prefeito desse, que pode ser afastado pela Justiça?”, questionou.

São Bernardo tem 844 mil habitantes e sua extensão territorial abrange até o Riacho Grande. Sede das primeiras montadoras de automóveis e um dos maiores polos industriais do país, a cidade enfrenta, com dificuldades, as consequências da atual crise econômica e sanitária.

Diante desse quadro, a emergência de programas para criação de empregos foi unanimidade entre as propostas dos candidatos. Altrão sugere a utilização do orçamento municipal para criação de cooperativas de costura que produziriam todos os uniformes utilizados na cidade, das escolas a hospitais. “Ao invés de gastar com propagando mentirosa, gastar com programas de geração de renda”, disse o candidato do PSB, alfinetando Morando. “Não se brinca, fazendo politicagem marqueteira sobre o emprego das pessoas.”

Confira aqui os principais momentos

Assista ao debate

Para a candidata Lourdes, do Psol, um dos maiores desafios de São Bernardo é romper com a desigualdade social. “Nosso município é um dos mais ricos do Brasil. Infelizmente o que vemos são bolsões de miséria e pobreza. Caracterizando-se uma forma de administração não condizente para a maioria. Administrações que não se preocuparam com a periferia. Nós entendemos que enquanto não erradicarmos essas desigualdades, vamos continuar convivendo com déficit habitacional, vivendo em áreas de risco, com esgoto a céu aberto. Sofremos as consequências na sociedade em que vivemos.”

O candidato Demarchi destacou a falta de diálogo da prefeitura com a população como um dos principais problemas da cidade. “São Bernardo tem de cuidar das vidas. O Brasil está mudando e o pessoal não quer mais o ‘rouba mas faz’. E para se resolver isso existe uma maneira que é um dos eixos do nosso governo: transparência da gestão para combater contratos fraudulentos, desvios de recursos e deixar claro para onde vai o dinheiro da nossa cidade”, explicou o candidato do PSL.


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