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Flávio Bolsonaro usou esquema de rachadinha nas eleições de 2018

Quebra de sigilo de duas funcionárias de Flávio quando era deputado estadual no Rio de Janeiro revelou que duas assessoras repassaram dinheiro para advogado do parlamentar

Fabio Rodrigues Pozzebom / ABr
Flávio Bolsonaro: 22 repasses realizados todos os meses entre junho e dezembro de 2018, período que abrangeu as eleições, ao seu advogado

São Paulo – O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, teria usado o esquema de rachadinha nas eleições de 2018. A quebra de sigilo de duas funcionárias de seu gabinete à época em que era deputado estadual no Rio de Janeiro revelou que elas repassaram dinheiro ao advogado do parlamentar.

Conforme revelado em reportagem do portal Uol, a prática da rachadinha no gabinete do hoje senador na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro ia além dos depósitos realizados na conta do policial militar Fabrício de Queiroz.

Foram 22 repasses realizados todos os meses entre junho e dezembro de 2018, período que abrangeu as eleições, ao advogado Luis Gustavo Botto Maia, responsável pela parte jurídica da candidatura de Flávio Bolsonaro ao Senado.

O advogado recebeu depósitos regulares de Alessandra Cristina Oliveira (15) e Valdenice Meliga (7), assessoras parlamentares de Flávio na Assembleia Legislativa e, ao mesmo tempo, dirigentes do PSL, na época o partido da família Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro, o advogado e as duas assessoras não quiseram se pronunciar. Em junho, o advogado Botto Maia foi alvo de um mandado de busca e apreensão pela suspeita de participar de uma tentativa de obstruir as investigações sobre o esquema de rachadinha.

Ministério Público

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) afirma também que Botto Maia participou da discussão de um plano de fuga de Queiroz e sua família. No final de 2019, o advogado viajou para a cidade de Astolfo Dutra (MG) para se reunir com a mulher de Queiroz, Márcia, e a mãe do chefe do Escritório do Crime Adriano Magalhães da Nóbrega. O miliciano foi morto em fevereiro deste ano, em confronto com a PM baiana. Já Queiroz cumpre prisão domiciliar.

Flávio Bolsonaro e ex-assessores na Assembleia são investigados pelo MP-RJ pela repartição ilegal de salários, a chamada rachadinha. Segundo as investigações, Fabrício Queiroz seria o operador principal do esquema, tendo recebido pelo menos R$ 2 milhões por meio de depósitos feitos por assessores de Flávio.


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