Em plena pandemia

Assembleia do Rio aprova processo de impeachment de Witzel por unanimidade

Governador é acusado pela PGR de ter recebido R$ 554 mil em propina por contratos da secretaria de saúde, em plena pandemia. Foram 69 a 0

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Na campanha de 2018, Witzel participou de manifestação em que foi exibida uma placa em homenagem a Marielle Franco destruída

São Paulo – Por unanimidade, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou  nesta quarta-feira (23) o encaminhamento do processo de impeachment do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel,  ao Tribunal de Justiça do estado (TJ-RJ).  Para prosseguir, o processo precisava de 47 votos, ou dois terços do total dos 70 deputados da casa. Foram 69 os votos pelo impeachment. Antes da votação, já prevendo o resultado, o governador afastado disse que estava sendo “amputado” do cargo.

O processo de impeachment de Witzel será agora encaminhado para um “Tribunal Misto”, composto por cinco deputados e cinco desembargadores do TJ-RJ, para o julgamento.

Witzel é acusado pela Procuradoria Geral da República (PGR) de ter recebido R$ 554,2 mil em propina por contratos firmados junto à secretaria de saúde estadual. O Rio agora é governado pelo vice-governador Cláudio Castro (PSC), que é próximo da família Bolsonaro.

Ex-juiz federal, Witzel entrou na disputa política como candidato ao governo do Rio pelo PSC. Na campanha de 2018, participou de uma manifestação em Petrópolis, na região serrana, em que foi exibida uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco (Psol) destruída. Marielle tinha sido assassinada em 14 de março do mesmo ano. Em março de 2019, ele pediu desculpas à família.

“Nunca esquecerenos, Witzel. Você estava lá e apoiou. É parte disso tudo”, escreveu a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), no Twitter.

“Que a meteórica ascensão e queda de Witzel sirva de lição: a vida real cobra caro aos oportunistas e outsiders políticos. Sem história, sem consistência, não se vai a lugar nenhum. Ou melhor, se vai para o brejo. Anotem: Bolsonaro vai atolar no mesmo pântano”, escreveu o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) na mesma rede.

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