entrevista

Lula: ‘Silêncio de Bolsonaro se chama Queiroz’

Ex-presidente criticou o desprezo de Bolsonaro em relação aos 100 mil mortos pela covid-19. “Um presidente responsável teria reunido a ciência e criado uma estratégia com os 27 estados, para que funcionassem como uma orquestra”

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São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o desprezo de Jair Bolsonaro em relação às vítimas da covid-19. Segundo ele, essa conduta é responsável em parte pelas mortes já causadas pela pandemia. “Ele nunca passou a ideia de um presidente preocupado com seu povo. Um presidente responsável teria reunido a ciência e criado uma estratégia com os 27 estados, para que funcionassem como uma orquestra. Não é possível que um país com esse tanto de gente contaminada não tenha um ministro da Saúde”, criticou, em entrevista à TV 247.

Lula acrescentou: “Na verdade, Bolsonaro nunca tratou os 100 mil mortos como seres humanos. É o atraso de um homem que jamais poderia ser presidente da República. Jair Bolsonaro tem responsabilidade e vai carregar esses cadáveres até o fim da vida”.

O Brasil chegou a um total de 101.752 mortos pela covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. Foram 703 óbitos registrados nas últimas 24 horas, conforme boletim divulgado nesta segunda-feira (10) do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Os infectados são 3.057.470, com acréscimo de 22.048 em 24 horas.

Para o ex-presidente, Bolsonaro só demonstrou preocupação de fato em relação ao envolvimento de familiares em escândalos. “O que deixou ele mais quieto foi o Queiroz, porque seus filhos podem cair pelas denúncias”, lembrou Lula. Na última sexta-feira (7), foi noticiado que Michelle Bolsonaro, esposa do presidente, recebeu 27 depósitos em cheque de Fabrício Queiroz que somam R$ 89 mil.

Eleições de 2022

Após duas importantes vitórias na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada, a defesa do ex-presidente espera agora o julgamento do habeas corpus sobre a suspeição do então juiz Sergio Moro. Lula se diz otimista com o caso e acredita que será inocentado. Ao ser questionado se, caso recupere seus direitos políticos, será candidato à presidência em 2022, ele não negou a possibilidade.

“Tudo depende da circunstância política. Estarei vivo, forte e com muita energia. Quando estava na primeira eleição, disseram que não tinha motivo para eu participar e acabei no segundo turno. Hoje, falam a mesma coisa sobre o ‘antipetismo’, mas as pessoas são convencidas pelas ideias. Estou certo de que temos todas as condições de tirar Bolsonaro da presidência em 2022”, afirmou.

Sobre a possibilidade de criar uma aliança progressista entre os partidos políticos de esquerda e centro-esquerda, Lula defendeu a hipótese apenas no segundo turno. “É melhor construir alianças no segundo turno do que ganhar, com 50%, no primeiro. O segundo turno é um benefício para o país. Você não pode tirar o direito de um partido defender seu programa e as pessoas de escolherem”, disse.

Postado por Felipe Mascari. Edição: Glauco Faria