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Deputados do PT protocolam pedido de CPI da cloroquina

Parlamentares querem que governo e Exército sejam investigados por superprodução, custos de fabricação e distribuição dos remédios, que não têm eficácia comprovada contra covid-19

Divulgação - Marcos Corrêa/PR
CPI pede investigação sobre defesa incondicional de Bolsonaro da cloroquina

São Paulo – Um requerimento assinado por deputados do PT pede à presidência da Câmara dos Deputados a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue irregularidades envolvendo a produção de cloroquina – e seu composto, a hidroxicloroquina – pelo governo Bolsonaro. Os parlamentares questionam o governo e o Exército sobre a superprodução, os custos de fabricação e os critérios de distribuição dos medicamentos como forma de enfrentamento à covid-19.

Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) já ter orientado pela interrupção das pesquisas com os medicamentos, o presidente Jair Bolsonaro faz campanha aberta pelo uso das substâncias. O documento critica o presidente pela propaganda que faz da cloroquina e por defender a modificação de protocolos referentes ao uso do remédio. No requerimento, os deputados petistas destacam que já foram produzidos cerca de três milhões de comprimidos pelo Exército, mesmo sem comprovação científica de que o medicamento é eficaz no tratamento da infecção causada pelo novo coronavírus.

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“Fato esse que preocupa diversas autoridades do país por parecer ultrapassar os limites da razoabilidade da gestão pública, ao despender significativos recursos em uma ação sem retorno comprovado”, escrevem os parlamentares. “É necessário e urgente que a Câmara dos Deputados realize procedimento investigativo para elucidar ao país a existência de superprodução de comprimidos de cloroquina e hidroxicloroquina pelo Governo Federal e pelo Exército.”

O texto também destaca a falta de protagonismo do Ministério da Saúde no combate à crise sanitária.

O documento foi protocolado nesta quarta-feira (29), com a assinatura dos deputados: Alencar Santana (SP), Arlindo Chinaglia (SP), Jorge Solla (BA), Paulo Pimenta (RS), Rogério Correia (MG) e Rosa Neide (MT), todos do PT. Para que a CPI seja instalada, o requerimento precisa ter 171 assinaturas.

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Redação: Fábio M. Michel