Sombrio

Deputado quer que ministro da Justiça explique ação sigilosa contra críticos de Bolsonaro

Alessandro Molon (PSB) quer saber a motivação para a ação contra 579 servidores federais e estaduais de segurança e três professores universitários

Isac Nóbrega/PR
Ministro da Justiça tem uma lista com mais de 500 nomes, com fotos, sendo três professores universitários, todos críticos do governo Bolsonaro

São Paulo – O líder do PSB na Câmara, deputado Alessandro Molon (RJ), protocolou hoje (24) requerimento para que o ministro da Justiça, André Mendonça, preste esclarecimentos sobre ação sigilosa deflagrada em junho contra um grupo de 579 servidores federais e estaduais de segurança, identificados como “movimento antifascismo”, e três professores universitários, por serem críticos do governo Jair Bolsonaro.

A ação foi denunciada hoje pela coluna de Rubens Valente no portal UOL. Segundo o colunista, os professores universitários são Paulo Sérgio Pinheiro, integrante da Comissão Arns de direitos humanos e ex-integrante da Comissão da Verdade, Luiz Eduardo Soares, cientista político e secretário nacional de Segurança Pública no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva e Ricardo Balestreri, secretário estadual de Articulação da Cidadania do governo do Pará e ex-presidente da Anistia Internacional no Brasil. Na lista consta ainda Alex Agra Ramos, bacharel em ciências políticas na Bahia.

Se confirmada a denúncia, Molon quer saber a motivação da ação, a base legal que fundamenta a produção de um dossiê com nomes, fotografias e endereços de redes sociais de servidores públicos que não compactuam com o governo de Jair Bolsonaro e obter uma cópia da ação, eventuais manifestações jurídicas da Advocacia-Geral da União, além da lista dos servidores investigados e informação sobre os órgãos que receberam o relatório.

“Não bastasse tudo o que Bolsonaro já disse e fez, agora tomamos conhecimento da montagem um aparato paralelo no Ministério da Justiça para vigiar e perseguir seus opositores. Este é mais um ataque à democracia e à Constituição, que merece o mais duro repúdio das nossas instituições”, disse o deputado.

Redação: Cida de Oliveira