Sem máscara

Em entrevista, Bolsonaro diz que está com covid-19

Presidente voltou a minimizar a doença. “Esse vírus é quase como uma chuva, vai atingir você”

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"Todo mundo sabia que mais cedo ou mais tarde iria atingir uma parte considerável da população"

São Paulo – Em entrevista a repórteres no início da tarde desta terça-feira (7), o presidente Jair Bolsonaro confirmou ter testado positivo para o coronavírus. “Todo mundo sabia que mais cedo ou mais tarde iria atingir uma parte considerável da população”, disse.

Ele descreveu quando sentiu os primeiros sintomas da covid-19. “Como isso tudo aconteceu? Começou domingo com uma certa indisposição e se agravou durante o dia da segunda-feira com mal-estar, cansaço, um pouco de dor muscular e febre que no final da tarde chegou a bater 38 graus.”

Após a detecção dos sintomas por parte do médico da Presidência da República, que apontou a suspeita de covid-19, Bolsonaro diz ter feito uma tomografia e que “os pulmões estavam limpos”. Afirmou ainda ter tomado, de acordo com prescrição médica, duas doses de hidroxicloroquina, voltando a defender a medicação.

Testes com cloroquina

No sábado (4), a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que estava interrompendo seus testes com o medicamento com hidroxicloroquina e lopinavir/ritonavir em pacientes com covid-19, após constatar que não houve redução de mortalidade. Antes disso, em junho, a Food and Drug Administration (FDA), agência do governo estadunidense, revogou a autorização da cloroquina e da hidroxicloroquina para tratamento da covid-19.

Bolsonaro, na entrevista, voltou a minimizar o coronavírus. “Esse vírus é quase como uma chuva, vai atingir você. Alguns não, alguns têm que tomar cuidado com esse fenômeno, vamos dizer. Mas acontece.” No final da conversa, ele se afastou dos repórteres e tirou a máscara.

A fala e o comportamento de bolsonaro receberam críticas por parte de personalidades do mundo político.

“Bolsonaro, mesmo testado positivo para o COVID-19, insiste no discurso genocida de que coronavírus é como outra doença qualquer. Insiste em propagar remédio que não tem evidência científica comprovada e diz que o aumento da morte de pessoas em casa é pq ‘o pânico também mata'”, apontou a deputada federal Fernanda Malchionna (Psol-RS), em seu perfil no Twitter.