Morto-vivo

Saída de Weintraub do Brasil mostra que ‘estamos em uma nau à deriva’, diz advogado

“Um ex-ministro que se aproveitou do cargo para fugir do país, mostrando como esse governo está cambaleando, é um cadáver ambulante”, aponta o criminalista José Carlos Portella Junior

Marcos Corrêa/PR
Ex-ministro viajou com passaporte diplomático e sua exoneração do cargo só foi oficializada depois que desembarcou em solo americano

São Paulo – “Uma fuga de cinema”, define o advogado criminalista José Carlos Portela Junior a ida às pressas do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub para os Estados Unidos, no último sábado (20). Segundo o integrante do coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia, o episódio é mais uma evidência de que o governo Bolsonaro se tornou um “morto-vivo”.

“Um ex-ministro que se aproveitou do cargo para fugir do país, mostrando como esse governo está cambaleando, é um cadáver ambulante. O ministro deixa o governo em cena de filme e revela que estamos numa nau à deriva”, afirmou Portela, em entrevista a Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual, nesta segunda-feira (22).

Investigado no Supremo por racismo e ameaças a ministro da Corte, a saída de Weintraub ocorreu com o uso de passaporte diplomático, ainda na condição de ministro. A sua exoneração do cargo só foi oficializada pelo presidente Jair Bolsonaro depois de seu desembarque em solo norte-americano.

O ex-ministro foi indicado para ser diretor-executivo do Banco Mundial. Entretanto, alguns países já elaboram um documento para barrar a nomeação. Uma carta assinada por mais de 250 personalidades e 15 entidades da sociedade civil também se posiciona de forma contrária à indicação.

“O Brasil está sem credibilidade, não tem mais um protagonismo como no passado. Está totalmente perdido, atuando como um principiante. Viramos um quintal dos Estados Unidos, de novo”, lamentou José Carlos.

Uma petição no site da Avaaz também foi aberta contra a indicação. Ao todo, 23 mil pessoas já assinaram pedindo a recusa do nome de Weintraub para o cargo. “Ele é um inimigo público da educação e não fez nada de positivo durante seu mandato. Não podemos permitir que ele deixe o governo e receba um cargo em uma importante instituição internacional”, diz a petição.