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PGR abre investigação contra bolsonaristas que atacaram STF com fogos

Ação atende a pedido do presidente do Supremo. Bolsonaro não se manifestou, mas ministro da Justiça pediu “compreensão” aos perpetradores do ataque

Reprodução
"Vamos derrubar vocês, seus comunistas", diz bolsonarista em vídeo gravado durante ataque com fogos

São Paulo – A Procuradoria-Geral da República(PGR) instaurou investigação preliminar, na noite deste domingo (14), contra manifestantes que atiraram fogos de artifício em direção ao Supremo Tribunal Federal. A abertura da investigação atendeu a pedido do presidente do STF, ministro Dias Toffoli. Os ataques ocorreram no sábado (13). Os fogos simulavam um bombardeio contra a sede da Suprema Corte.

Toffoli cobrou a “responsabilização penal daquele(s) que deu/deram causa direta ou indiretamente, inclusive por meio de financiamento, dos ataques e ameaças dirigidas” ao STF e ao “estado democrático de direito”.

Os ataques foram realizados pela milícia bolsonarista autointitulada “300 do Brasil”. O acampamento montado pelo grupo foi desmantelado, no sábado, pela Polícia Militar do Distrito Federal. Antes dos fogos contra o STF, o grupo havia tentado invadir uma das cúpulas do Congresso Nacional.

O presidente do STF também solicitou a responsabilização de Renan da Silva Sena, “por ataques e ameaças” contra o tribunal. Ex-assessor do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Sena agrediu, em maio, enfermeiras que protestavam em Brasília.

A “notícia de fato”, procedimento que abre a investigação, é assinada pelo procurador João Paulo Lordelo. Ele pede que informações do Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) sejam incluídas no âmbito do inquérito que investiga atos antidemocráticos contra o STF e o Congresso.

Reação

No domingo, Dias Toffoli havia afirmado, em nota, que as ações contra o Supremo são “financiadas ilegalmente” e estimuladas “por integrantes do próprio Estado”. O presidente disse que o STF “jamais se sujeitará” a nenhum tipo de ameaça, “velada, indireta ou direta”.

Exoneração

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), exonerou o subcomandante da PM, coronel Sérgio Luiz Ferreira de Souza, pela inação diante do ataque ao STF. Após a exoneração, a polícia do DF prendeu Renan Silva Sena, acusado de participar da ação.

Silêncio

O presidente Jair Bolsonaro, que vinha participando consecutivamente dos atos contra o Congresso e o STF, não se pronunciou sobre a ação pirotécnica. Sem citar o episódio, contudo, o ministro da Justiça, André Mendonça, divulgou nota defendendo o respeito “à vontade das urnas e o voto popular”. Afirmou que “devemos agir por este povo, compreendê-lo e ver sua crítica e manifestação com humildade”. Cobrou “autocrítica” de todos, sem especificar quem. E disse, ainda, que “não há espaço para vaidades”.

A única autoridade que participou de atos em apoio aos grupos bolsonaristas no domingo foi o ministro da Educação, Abraham Weintraub. “Já falei a minha opinião, o que faria com esses vagabundos”, disse ele, reiterando ameaças proferidas contra os ministros do STF na reunião ministerial de 22 de abril.