ameaças

Democracia em risco é resultado da falta de justiça de transição

Para diretor do Instituto Vladmir Herzog, Brasil precisa repensar a Lei de Anistia, de 1979

Paulo Pinto/Fotos Publicas
Rogério Sottili pede a união contra o atual governo e em defesa da democracia e da vida. Entretanto, lembra que não pode esquecer dos atores que levaram Bolsonaro ao poder

São Paulo – Desde a eleição de Jair Bolsonaro, o Brasil vive uma escalada na tensão política e ameaças de ruptura democrática, com manifestações pela volta da ditadura e o fechamento dos poderes. Esse cenário é resultado da falta da chamada Justiça de transição e da impunidade dos agentes do Estado que violaram direitos humanos.

A análise é de Rogério Sottili, diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog. Para ele, chegou a hora do Brasil reinterpretar a Lei de Anistia, sancionada em 1979, que concede perdão aos crimes cometidos durante a ditadura civil-militar.

“Não podemos esquecer a responsabilidade de não termos feito uma justiça de transição adequada que responsabilizasse todos que cometeram crimes durante a ditadura. O que deixa o Bolsonaro confortável para homenagear torturador e ameaçar o Supremo, foi a falta de punição os ditadores do passado”, criticou Sottili, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

Em artigo publicado na revista CartaCapital, o diretor do instituto pede a união contra o atual governo e em defesa da democracia e da vida. O texto pede estratégias de promoção e de desenvolvimento dos direitos humanos, e elogia as manifestações populares contra o fascismo, que ocorrem há três semanas pelo Brasil.

“O que estamos vivendo, no Brasil, é uma ameaça brutal à democracia e uma apologia à violência, mas não podemos aceitar isso. Então, estamos nos engajando para frear todos os ataques do atual governo, que agride a Constituição Federal”, acrescentou.

Entretanto, Sottili afirma que, apesar de unir forças para proteger a democracia, não se pode perder a memória sobre o que levou o Brasil ao momento atual. “Precisamos lembrar de tudo que levou Bolsonaro ao poder, incluindo o impeachment de Dilma, em 2016, sem base legal. Foi um processo de desestabilização do regime democrático que resultou nisso, que teve o apoio dos grandes meios de comunicação”, finalizou.