Frente ampla

‘Direitos Já’ se divide diante de convite a Sergio Moro para ato virtual

Sugestão de deputado do Podemos provoca reação imediata de líderes de esquerda. “Se ele entrar por uma porta, eu saio por outra”, diz Boulos

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Moro: rejeição se dá por conta de sua conduta contra o campo progressista na Lava Jato e por ter atuado como ministro de Bolsonaro

São Paulo – O deputado José Netto (Podemos-GO) teve a ideia de convidar o ex-ministro Sergio Moro para um ato virtual pela democracia, organizado pelo movimento Direitos Já. De imediato, a sugestão revelou divisões entre as forças políticas que compõem o movimento, com a reação contrária de políticos de centro-esquerda e de esquerda.

O ex-ministro Aldo Rebelo afirmou: “Avisem quando estiver para acontecer”. Guilherme Boulos diz: “Se ele entrar por uma porta, eu saio por outra”, informa a jornalista Mônica Bergamo em sua coluna na Folha de S.Paulo.

O deputado goiano exaltou a figura de Moro como alguém que teve a coragem de combater a corrupção e nunca ter se insurgido contra a democracia. As forças progressistas e de esquerda veem em Moro alguém que usou a Operação Lava Jato para destruir a democracia e abrir caminho a um regime autoritário no país. 

Composto por várias forças que vão da esquerda à direita, passando pelos diferentes matizes do centro, o movimento se dividiu também porque não constava no texto a ser lançado nenhuma referência a Jair Bolsonaro. Líderes de oposição, entre os quais defensores da palavra de ordem Fora Bolsonaro, exigiram que o nome do presidente estivesse no texto. 

Alinhamento com Bolsonaro

Há no movimento aqueles que defendem a permanência de Bolsonaro no governo até o fim do seu mandato e se alinham à sua política econômica, executada pelo ministro da Economia Paulo Guedes, neoliberal e defensor do arrocho fiscal.

Outra confusão foi criada pela revelação de que o  evento reuniria os ex-presidentes Michel Temer, José Sarney e FHC, e os ex-presidenciáveis Fernando Haddad (PT-SP) e Guilherme Boulos, além de Luciano Huck. 

Temer, que já tinha até enviado vídeo para o ato, e Sarney desistiram de participar. O presidente do STF Dias Toffoli tinha confirmado presença e também recuou. 

Com informações da Folha de S.Paulo e Brasil247.