Chapa esquenta

Assembleia do Rio autoriza abertura de processo de impeachment de Witzel

Mesmo parlamentares do partido do governador aprovaram a medida. Ele enfrenta denúncias de corrupção

Fernando Frazão/Agência Brasil
Witzel teve desentendimentos com Bolsonaro e mostra fragilidade no Legislativo

São Paulo – Depois de votação simbólica, com apenas uma abstenção, ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, André Ceciliano (PT), abriu processo de impeachment contra o governador Wilson Witzel (PSC). Assim, mesmo parlamentares de seu partido se posicionaram a favor da abertura. Witzel coleciona 14 pedidos de impeachment.

“Quero tomar uma decisão conjunta, e essa decisão não significa um pré-julgamento. A gente precisa dar uma posição pra sociedade”, declarou Ceciliano, ao explicar sua decisão de realizar a votação. “Poderia, monocraticamente, aceitar um desses pedidos, mas quero fazer encaminhamento aqui para que eu possa, como presidente, dar seguimento a um dos processos.”

De 70 votos, 69 foram a favor da abertura do processo. Rosenverg Reis (MDB) se absteve.

Denúncias

O governador enfrenta denúncias de corrupção, como em supostas fraudes em compras para a área de saúde, devido à pandemia. A chamada Operação Placebo, da Polícia Federal, investiga possíveis desvios na construção de hospitais de campanha. Em 26 de maio, policiais federais foram ao Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador, cumprindo mandados de busca e apreensão.

Na ocasião, Witzel negou participação em qualquer irregularidade. “Estou à disposição da Justiça, meus sigilos abertos e estou tranquilo sobre o desdobramento dos fatos”, declarou. A operação foi deflagrada após certo desentendimento do governador fluminense com o presidente Jair Bolsonaro, o que deu margem a especulações sobre perseguição política. Depois disso, Witzel demitiu o secretário de Desenvolvimento Econômico, Lucas Tristão, que teria apontado a existência de dossiês contra deputados da Casa.

O passo seguinte no processo é a publicação no Diário Oficial para a formação de uma comissão especial na Assembleia. Serão esses deputados que analisam se a denúncia deve ser aceita.