Intervir, sim, pô

Polícia Federal tem troca de comando no Rio e em mais cinco estados

Com menos de um dia sob comando do novo superintendente, PF do Rio desencadeou ação contra o governador Wilson Witzel, desafeto de Bolsonaro

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Mudanças não foram assinadas pelo delegado-geral da PF, mas pelo secretário-executivo do ministério da Justiça

São Paulo – A Polícia Federal anunciou troca de comando em seis estados, envolvendo superintendentes regionais dos estados do Rio de Janeiro, Goiás, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Tocantins. Os nomes dos novos comandantes regionais, além de outros cargos de chefia, foram publicados em edição extra do Diário Oficial da União na segunda-feira (25).

As mudanças ocorrem três semanas depois de o delegado Rolando Alexandre de Souza assumir como novo diretor-geral. As nomeações foram assinadas pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Tercio Issami Tokano. Segundo a PF, as trocas foram feitas para que antigos superintendentes regionais assumissem cargos na direção da corporação ou no próprio Ministério da Justiça.

Agora sob comando do delegado Tácio Muzzi, a troca na superintendência da capital fluminense foi o estopim para a demissão do então delegado-geral da PF, Maurício Valeixo, e a saída subsequente do então ministro Sergio Moro.

A mudança também reforça as suspeitas de intromissão de Bolsonaro na PF do Rio para proteger seus filhos e amigos, intensão revelada pelo próprio presidente na reunião ministerial de 22 de abril, divulgada na última sexta-feira (22).

No momento das troca de comando, a PF do Rio realizou ação de busca e apreensão na manhã no Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governador, Wilson Witzel (PSC). O objetivo alegado da Operação Placebo, desencadeada na manhã desta terça-feira (26), é apurar indícios de desvios de recursos destinados ao atendimento do estado de emergência de saúde pública devido ao novo coronavírus. Mas há suspeitas de que a operação seja uma retaliação ao ex-aliado, o que reforça a politização da instituição.