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Rodrigo Maia recebe primeiro pedido coletivo de impeachment de Bolsonaro

Sete partidos de esquerda e mais de 400 organizações sindicais e da sociedade civil, movimentos populares, juristas e intelectuais assinam o pedido

Scarlett Rocha/Esquerda Online
Sem condições: Ato em Brasília marcou entrega de primeiro pedido coletivo de impeachment de Bolsonaro à Câmara

São Paulo – O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que já tinha mais de 30 pedidos de impeachment de Bolsonaro em sua gaveta, recebeu mais um na manhã de hoje (21). A diferença é que este é o primeiro pedido coletivo, popular, assinado por sete partidos de esquerda (PT, PCdoB, Psol, PCB, PCO, PSTU e UP) e mais de 400 organizações sindicais e da sociedade civil, movimentos populares, além de juristas, artistas e intelectuais.

O documento foi entregue em meio a um clima de insatisfação geral com as políticas do governo, especialmente diante da pandemia causada pelo novo coronavírus. O país registra mais de 293 mil casos confirmados e já está perto dos 19 mil mortos.

Em entrevista coletiva logo após protocolar o pedido, a presidenta do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), destacou o descaso do presidente com as vítimas da covid-19, com os trabalhadores mais pobres e também com os donos de pequenos negócios. “Até agora o crédito não chegou e as pessoas estão sendo demitidas. Bolsonaro não tem condição alguma de governar, nem humana, de se colocar no lugar do outro, muito menos de proteger. Só saber brigar o tempo todo e vive o tempo todo em meio a crimes de todo tipo, inclusive de responsabilidade e eleitoral.”

A parlamentar lembrou que sem vida não há economia. “Quantas pessoas mais terão de morrer? Sob o governo Bolsonaro o país jamais terá condições de enfrentar essa crise toda.”

Aliado do vírus

Integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), Guilherme Boulos disse que Bolsonaro é um “aliado do vírus” e por isso está sob observação de todo o mundo que, incrédulo, assiste a um líder que despreza as vítimas da doença. Ele destacou o perfil antidemocrático do presidente, que faz apologia à ditadura e à tortura, e destacou os crimes de responsabilidade que têm praticado e as tentativas de interferência na Polícia Federal para proteger seus filhos.

“Por tudo isso não tem chance de liderar o país. Em uma pandemia, o que se esperaria de um líder era unificar, proteger. Antes que cause mais sofrimento, que destrua o que sobrou de democracia e que a gente não perca a vida, a gente faz um apelo para que (Rodrigo) Maia aceite e abre urgente um processo de impeachment. É a vida de brasileiras e brasileiros em jogo. O Brasil é muito maior que Bolsonaro.”

O jurista e ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão enfatizou que “é chegada a hora, depois de reiterados crimes de responsabilidade contra a democracia e contra o decoro de seu cargo”.

“Bolsonaro não tem o tamanho para ser parlamentar, muito menos presidente. Incapaz de exercer papel de coordenador de uma sociedade complexa, da crise sanitária que foi a gota d’água. Não deveríamos estar assinando. Mas quem assina é ele, que tirou o foco da covid-19. Por que além de termos de enfrentar uma crise da doença, temos de enfrentar outra crise, política.”

A entrega do pedido do afastamento de Bolsonaro foi precedida por ato em Brasília, promovido pelo MTST, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Central de Movimentos Populares (CMP) e o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-N). Participaram os juristas Celso Antonio Bandeira de Mello, Lenio Streck, Pedro Serrano e Carol Proner e os ex-ministros da Justiça Tarso Genro, José Eduardo Cardozo e Eugênio Aragão, que participaram também da redação do pedido.

Assista à entrevista coletiva na íntegra:

Assista também:

Vídeo produzido pelo Sindicato Nacional que representa os servidores (docentes e técnicos) da Rede Federal de Educação Básica, Profissional e Tecnológica sobre o pedido popular de impeachment.