escarcéu ministerial

Moro se omitiu e Guedes é blindado pela mídia, destaca jurista

Moro tenta “sair por cima” e mídia apoia “neoliberalismo desenfreado” de Guedes, que quer granada” no bolso dos servidores e vender a p* do Banco do Brasil

Marcos Corrêa/PR
Morou ouviu, calado, um "escarcéu de ilegalidades"

São Paulo – Para o advogado Marcelo Uchôa, integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), as imagens da reunião ministerial de 22 de abril, demonstram que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal (PF), o que configura crime comum, segundo ele. Além disso, o silêncio do então ministro da Justiça Sergio Moro durante o “escarcéu” revela sua omissão diante dos abusos de todo tipo praticados pelo governo. A mídia tradicional também preferiu omitir as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, segundo ele.

“Foi um escarcéu de ilegalidades e desatenção com o Estado de direito. E o ministro da Justiça calado”, disse Uchôa a Marilu Cabanãs e Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, nesta segunda-feira (25). Naquele momento, segundo Uchôa, Moro já buscava uma estratégia para “tentar sair por cima” do governo que participou.

Guedes

Sobre Guedes, o jurista afirma que ele “não tem o menor respeito com os servidores públicos e as estatais brasileiras”. Na reunião, o ministro disse que é preciso vender “a porra do Banco do Brasil”. Em outro momento, disse que já foi colocada uma “granada” no bolso dos servidores públicos, em referência á proposta de congelamento de salários por dois anos.

“É uma pena entregar a economia para um ministro que não gosta do Brasil. Que não entende o sacrifício para constituir estatais e formar servidores competentes. Não entende, sequer, a importância simbólica do Banco do Brasil.”

Para Uchôa, que também é professor de Direito da Universidade de Fortaleza (Unifor), a mídia tradicional buscou preservar a imagem de Guedes ministro, evitando destacar suas falas durante a reunião, pois apoia a mesma política “neoliberal desenfreada” do ministro.

“Tentam passar a imagem de que não querem expor o ministro para não criar mais tensões econômicas, alimentando cenário de profundas incertezas. Mas, na verdade, a mídia tradicional apoia essa política neoliberal desenfreada.”

O advogado ressaltou, ainda, que a falta de proteção social aos trabalhadores leva ao aumento das incertezas. “Ele acha que o trabalhador pode trabalhar debaixo do chicote, e que não vai reclamar nunca. É um erro grave, a história já mostrou.”

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