Interfere, sim

Em reunião, Bolsonaro diz que trocaria até ministro para proteger seu clã

Em vídeo divulgado pelo STF, Bolsonaro diz que já tentou, oficialmente, trocar gente do governo, mas que não conseguiu. E deu a entender que não desistiria

Reprodução
Bolsonaro: Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira

São Paulo – Em reunião ministerial em 22 de abril, cujo conteúdo foi liberado hoje (22), o presidente Jair Bolsonaro foi enfático ao dizer que já tentou, oficialmente, trocar “gente nossa” da segurança no Rio de Janeiro, mas que não conseguiu. E que nem por isso vai esperar que prejudiquem – usou um palavrão que significa a mesma coisa – sua família toda, de sacanagem, ou amigos seus. “Vai trocar. Por que se eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura nossa, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira.”

O conteúdo da reunião foi liberado praticamente sem cortes pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello. A reunião é uma das peças principais do inquérito que apura se Bolsonaro tentou interferir politicamente na Polícia Federal, conforme denúncia do ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

Bolsonaro exonerou o então diretor-geral da PF do Rio de Janeiro, Maurício Valeixo, para substituí-lo pelo diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, com quem tem relações pessoais. Mas Ramagem foi impedido de assumir pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.

Nesse mesmo trecho do vídeo, Bolsonaro diz ainda que sua irmã de Eldorado, outra de Cajati e o irmão capitão do Exército de Miracatu, todos na região do Vale do Ribeira, em São Paulo, são perseguidos o tempo todo pela imprensa.

Assista ao vídeo da reunião ministerial liberada pelo STF:


Leia a transcrição do vídeo na íntegra


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