Ruptura

Para ex-ministros, ‘crise de gestão’ e ‘irresponsabilidade’ de Bolsonaro ameaçam combate ao coronavírus

‘Democracia no Brasil está na UTI’, diz Eugênio Aragão. Para Renato Janine Ribeiro, saída de Teich marca ‘elogio da não competência’ no ministério da Saúde

MARCELO CAMARGO e Arquivo/AGÊNCIA BRASIL
Janine Ribeiro e Eugênio Aragão foram ministros de Dilma Rousseff no segundo mandato da presidenta

São Paulo – Na opinião dos ex-ministros Renato Janine Ribeiro (Educação) e Eugênio Aragão (Justiça), o governo Bolsonaro ignora os conceitos de gestão na área da saúde e é irresponsável no enfrentamento da pandemia de coronavírus. “A saída de Teich é a prova mais cabal de que o Brasil está numa crise de gestão total. Nem um ministro que era empresário da saúde deu conta”, diz Aragão. O agora ex-ministro é sócio da Teich Health Care, uma empresa de consultoria de serviços médicos.

“O problema maior da covid no Brasil é a falta de gestão. Se os países que têm gestão de primeira qualidade estão passando por dificuldade, imagina um país sem gestão como o nosso, cheio de problemas sociais para cuidar”, acrescenta.

Aragão acredita que a demissão de Teich é mais um episódio que se insere na conjuntura da grave crise política do país. “A gente está caminhando para uma ruptura, mas qual o sentido dessa ruptura ainda não sei. Mas que, em determinado momento vai acontecer, vai. A democracia no Brasil está na UTI.”

“É muito preocupante. É uma situação de elogio da não competência”, diz Janine Ribeiro. Para ele, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta “caiu mais por suas qualidades, e não por seus defeitos, e depois Teich cai  porque não quer seguir as idiossincrasias do presidente, que não tem conhecimento da área”.

Para Aragão, no caso de Nelson Teich, “ele não conseguiu fazer rigorosamente nada, ficou um mês vendo navios, e depois viu que não poderia fazer nada e saiu”.

O saldo no combate à pandemia de covid-19 “é trágico”, diz o jurista. Na segunda-feira (11), o agora ex-ministro Teich escreveu no Twitter que a cloroquina, defendida por Bolsonaro como eficaz no tratamento da doença, é “um medicamento com efeitos colaterais”. Disse ainda que “qualquer prescrição deve ser feita com base em avaliação médica”.

A colocação esquentou o óleo da fritura que já estava em temperatura alta. “A saída de Teich tem a ver também com a cloroquina, porque Bolsonaro põe umas coisas na cabeça e quer impor a ferro e fogo. A cloroquina foi apenas o estopim, ele não tinha o que fazer.”