Politização

Após vídeo da reunião, Bolsonaro está em ‘confronto aberto com as instituições’, diz cientista político

Cientista político Wagner Romão acredita que presidente pode usar PF contra adversários políticos

Alan Santos/PR
Falas de Bolsonaro, durante a reunião ministerial do dia 22, apontam que o Estado democrático está ameaçado, afirma Wagner

São Paulo – Depois da divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro se coloca em confronto aberto contra as instituições do Brasil. A avaliação é de Wagner Romão, professor de Ciência Política da Unicamp.

O cientista político menciona a vontade do presidente de controlar a Polícia Federal para fins pessoais e também analisa os possíveis vazamentos que podem ter ocorrido antes da Operação Placebo, que buscou provas em 12 endereços, entre eles o Palácio das Laranjeiras, onde mora o governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC). Romão destaca que vazamentos ocorridos em órgãos do sistema de justiça brasileiro têm sido recorrentes no Brasil.

“Infelizmente temos vivido nos últimos anos algo que se tornou uma normalidade nessa relação com políticos e parte da imprensa. A Globo, que tanto reclama hoje desse tipo de operação, foi muito privilegiada na época da Lava Jato”, aponta, em entrevista a Marilu Cabañas e Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual.

Para Romão, o atual cenário tende a se agravar. “Temos uma situação muito difícil e que aparentemente vai piorar porque há uma mudança na organização do poder político na sua relação com a Polícia Federal e com alguns tribunais. Bolsonaro, depois da liberação dessa reunião de 22 de abril, se ainda não estava em confronto aberto com as instituições, agora está.”

Em função disso,é importante, segundo o cientista político, que a sociedade esteja mobilizada para preservar o Estado de direito de novos ataques por parte do governo. “Temos que cobrar do Judiciário e da instituição Polícia Federal que se mantenham em um caminho de retidão”, pontua.

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