Ególatra

‘Sem poder demitir Mandetta, Bolsonaro está frágil e constrangido’, diz jornalista

“Bolsonaro sofreu constrangimento estrutural. Ele é ridicularizado no mundo todo, mas no caso Mandetta sofreu intervenção”

Isac Nóbrega/PR
Reprovação ao presidente chegou a 39%, enquanto a pasta conduzida por Luiz Henrique Mandetta, por exemplo, tem aprovação de 76%

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro sofreu, pela primeira vez, um constrangimento estrutural. Para o jornalista e escritor Leandro Fortes, o chefe de Estado está fragilizado e sem forças, depois de não conseguir demitir seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Enquanto Bolsonaro defende o fim do isolamento social e o uso de cloroquina para tratar a covid-19, seu ministro pede para que a população fique em casa e, por enquanto, não utilize a medicação, já que a eficácia não é comprovada cientificamente.

Desconfortável por ter um subordinado que age diferente de si, Bolsonaro pretendia demitir Mandetta na última segunda-feira (6), mas foi impedido por pressão parlamentar e da sua ala militar.

“Bolsonaro sofreu, pela primeira vez, uma espécie de constrangimento estrutural. Ele fala estupidez o tempo todo, é ridicularizado no mundo inteiro, mas nunca ligou para isso. Porém, o caso Mandetta, com a intervenção dos militares e de outros ministros, ele se viu desautorizado. Ele não pôde demitir o Mandetta, então se fragilizou”, avalia Fortes, em entrevista à jornalista Talita Galli, no programa Bom Para Todos, da TVT.

Bolsonaro, porém, ainda não está convencido de manter o ministro no cargo. “Ele está com sangue nos olhos para demitir o Mandetta. A presença do ministro da Saúde é uma humilhação permanente para Bolsonaro. Ele não pode demitir o Guedes, porque o poder econômico não deixa. Nem o Sergio Moro, E agora tem outro ministro que não pode demitir”, disse Leandro Fortes.

De acordo com pesquisa Datafolha, divulgada na última sexta-feira (3), o ministro da Saúde possui maior aprovação do que o presidente da República. Com as declarações controversas e a falta de ações, a reprovação ao presidente chegou a 39%, enquanto a pasta conduzida por Mandetta tem aprovação de 76%.

Fortes acredita que esse é um dos motivos que move a ira de Bolsonaro contra o atual ministro da Saúde. “Ele quer tirar o Mandetta porque também tem inveja. O Bolsonaro não quer que outro ministro seja mais popular, pois já tem o Moro à frente dele. Bolsonaro é um ególatra, sem conseguir viver na sombra de alguém.”