Lado de lá

Mídia escancara preferência partidária mesmo diante de ameaça golpista

“Não há critério jornalístico que explique por que apenas um dos ex-presidentes é ouvido pela mídia comercial. O critério é político”

Pixabay

São Paulo – O Brasil tem cinco ex-presidentes eleitos democraticamente ainda vivos – fora Michel Temer. E, segundo o professor aposentado de Jornalismo da USP, Laurindo Lalo Leal Filho, colunista do canal do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, todos poderiam, em momentos de crise como o que vive o país, dar algum tipo de contribuição. “Nem que seja apenas através de palavras”. Ou entrevistas.

“Mas por que apenas um dos ex-presidentes é ouvido pela mídia comercial?”, questiona Lalo. O professor de refere ao fato de, no último fim de semana, Fernando Henrique Cardoso ter sido o único ex-presidente ouvido pela mídia comercial para repercutir os atos de grupos de extrema direita. Os atos – inclusive com participação do presidente Jair Bolsonaro – pediram intervenção militar e fechamento do regime democrático.

“Não há critério jornalístico que explique essa preferência (da mídia por FHC). O critério é político”, define Lalo Leal. Segundo o colunista, o tucano continua sendo referência ideológica dos meios comerciais mesmo depois de terem perdido quatro eleições para o PT e uma para a extrema-direita.

“É por isso que Lula e Dilma não têm espaço nesses meios. Eles não fazem parte do partido da mídia. Ao contrário, são considerados adversários e, como tal, vítimas de ataques persistentes”, diz. Lalo lembra que Lula, entre o fim de seu governo em 2010 e a prisão em Curitiba em 2018, estava todos os dias na mídia. “Mas como um demônio à solta. Preso, sumiu do mapa. Não bastava prender, era preciso retirá-lo do imaginário popular.”

No último fim de semana, Lula ou Dilma teriam algo a falar diante da ameaça de um golpe de Estado sob qualquer critério jornalístico. “Mas o que vale é o critério político”, observa Lalo Leal.

Laços ideológicos

A falta de uma imprensa diversificada, com veículos de massa apresentando diferentes visões de mundo, leva a fenômenos como a presença de donos de luxuosos carros blindados e humildes motoristas de aplicativos – dois grupos separados por abismos sociais e econômicos – nas mesmas “patéticas carreatas” pelas ruas do país clamando pelo autoritarismo. O que os une são “laços ideológicos cuidadosamente amarrados”, define Lalo. Veja o vídeo.



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