Esforço de guerra

É preciso ‘dinheiro novo’ para ajudar o povo e combater o coronavírus, diz Lula

Em entrevista à emissora de rádio baiana, ex-presidente criticou os ministros Guedes e Mandetta. Pelas redes sociais, disse que Bolsonaro “parece o capitão do Titanic”

Ricardo Stuckert
Lula disse que permanece em isolamento há cerca de um mês, desde que retornou a última viagem internacional

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira (16) que é preciso “rodar dinheiro novo”, garantindo renda para que a população possa ficar em isolamento e fortalecer o sistema público de saúde no combate à pandemia de coronavírus. Ele criticou o governo Bolsonaro pela falta de coordenação com os estados, e disse que os recursos anunciados não chegam aos governadores.

Lula também criticou o ministro da Economia, Paulo Guedes, pela rapidez com que garantiu R$ 1,2 trilhão para salvar instituições financeiras, enquanto demorou a liberar recursos para o pagamento do auxílio emergencial a trabalhadores autônomos, informais e desempregados.

As declarações foram dadas ao jornalista Mário Kertész, para o jornal Bahia no Ar, da Rádio Metrópole. Ele também criticou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que “sempre foi contra o SUS” e a favor da privatização da saúde. Também foi um dos responsáveis pelo fim do programa Mais Médicos, que culminou com a saída do Brasil dos médicos cubanos.

Dinheiro novo

“Tem que rodar dinheiro novo. Se o orçamento já não dava quando estamos em tempos de normalidade, em tempo de coronavírus, a gente tem que colocar a máquina para rodar dinheiro. O Brasil não tem que ter medo de colocar 300 bilhões novos. Não vai criar inflação nenhuma. Vai apenas alargar a base monetária. É fazer dinheiro para utilizar com o povo, que está numa crise medonha”, defendeu o ex-presidente.

Ele afirmou que em “situações de guerra”, não é hora de se preocupar com a dívida interna. Citou o caso do Estados Unidos, que ampliaram o déficit, durante a 2ª Guerra Mundial não apenas para vencer o conflito, como também para viabilizar o New Deal, plano para reativar a economia. No Brasil, Lula citou que, durante a Guerra do Paraguai (1864-1870), foi gasto o equivalente a 11 vezes o orçamento anual daquele período.

Capitão do Naufrágio

Pelas redes sociais, Lula comparou a atuação de Bolsonaro frente à crise do coronavírus à do capitão do Titanic, navio que afundou no Oceano Atlântico, em 1912, depois de bater num bloco de gelo.

Diante do esforço no combate à pandemia, Lula afirmou, na entrevista, que os poderes da República e as três esferas de governo – União, estados e municípios – devem atuar em sintonia, tal qual uma orquestra. Mas Bolsonaro, que deveria ser o “maestro”, continua criando conflito.

“O papel do presidente é respeitar as instituições e os entes federados, estabelecendo uma política de convivência harmônica e pacífica para que o Brasil possa dar certo. Um presidente não pode ficar brigando todo dia, toda hora, com todo mundo. Bolsonaro tem que governar esse país e deixar de ser ignorante, para fazer as coisas que têm que ser feitas.”

Nordeste

Lula disse ainda que Bolsonaro deve respeitar a população do Nordeste, em vez de tentar retaliar politicamente a região. “Não é possível um presidente determinar na sua cabeça que o Nordeste é inimigo só porque perdeu as eleições. Não é possível o tratamento desrespeitoso com os governadores da região. Dá menos dinheiro do Bolsa Família, menos recursos para combater o coronavírus, por uma bobagem de uma perseguição política.”

Por conta dessas dificuldades, Lula saudou as ações que vem sendo desenvolvidas pelo Consórcio do Nordeste, que reúne os governadores da região para a elaboração de políticas públicas integradas.

Mandeta e Guedes

“Agora a gente está vendo uma briga entre o ministro da Saúde e o presidente, mas esse ministro sempre foi contra o SUS. Foi o responsável por mandar os médicos cubanos embora, acabando com o Mais Médicos. Era um privatista do sistema de saúde”, disse Lula sobre Mandetta.

Sobre o ministro da Economia, o ex-presidente disse que Paulo Guedes foi ágil para atender os bancos e agências de investimento, aprovando a liberação de R$ 1,2 trilhão em recursos. “Se o dinheiro demora tanto tempo para chegar na mão do pobre, por que é que chega com tanta rapidez na mão dos banqueiros? Historicamente acontece isso. É tudo para os ricos e nada para os pobres.”


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