'Tem que sair'

De Bolsonaro, não se espera nada de razoável, diz Boulos

Líder do MTST afirma que o presidente “perdeu as condições de governar o país”. Ele também cobrou o pagamento do auxílio emergencial

Isac Nóbrega/PR
Bolsonaro lendo pronunciamento que foi ao ar nesta terça-feira

São Paulo – Para o coordenador do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) Guilherme Boulos, apesar do tom menos “raivoso e insano”, o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira (31) não está à altura de um chefe de Estado em um momento de emergência como o da pandemia de coronavírus. “Não apresentou nenhuma medida nova, nem falou o que todo o Brasil queria ouvir, que era a data para o pagamento da renda básica”, afirmou.

Segundo Boulos, candidato à Presidência pelo Psol em 2018, o atual mandatário é “um desqualificado” que faz “politicagem” com a vida das pessoas. “Bolsonaro perdeu as condições de governar o país. Ele tem que sair”, afirmou, em entrevista a Marilu Cabañas e Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, nesta quarta-feira (1º).

Além de não definir uma data para o início do pagamento do auxílio emergencial às famílias mais vulneráveis socialmente, proposta que ainda não foi sancionada, Bolsonaro aproveitou para produzir mais uma notícia falsa – fake news –, reafirmando a interpretação distorcida do discurso do diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Durante a manhã desta quarta, Bolsonaro publicou vídeo de um apoiador chamando governadores e prefeitos de canalhas por estabelecerem medidas restritivas de circulação da população, e atribuindo a eles a culpa sobre a crise na economia. Nesta semana, o presidente teve publicações excluídas do Twitter, Facebook e Instagram, por atentar contra a saúde da população.

Boulos afirmou que não há “contradição” entre as diretrizes de isolamento social necessárias no combate à pandemia e a sobrevivência das famílias. Ele citou que, além da renda emergencial, outros países têm proibido demissões e suspendido a cobrança de contas de luz, água e aluguel, e oferecido também indenizações para micro e pequenos empresários.

“Essas as medidas que deveriam ter sido anunciadas no pronunciamento do presidente ou nas suas redes sociais. É que nós temos um inconsequente na presidência da República. Não está à altura do cargo. Não tem a menor capacidade de liderar o país. Por isso, temos dito que Bolsonaro se tornou um problema de saúde pública. E precisa ser retirado.”

Saídas

Boulos é um dos signatários, com outras lideranças da oposição, do manifesto que pede a renúncia de Bolsonaro. Sem apostar na “razoabilidade” do presidente em sair por vontade própria do cargo, ele afirma que há outras saídas, como o impeachment ou a cassação da chapa Bolsonaro/Mourão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Foram cometidos crimes eleitorais gravíssimos e que a CPMI das Fake News ajudou a mostrar.”

Outra alternativa, segundo o líder do MTST, é o Supremo Tribunal Federal (STF) afastar o presidente por ter cometido crime contra a saúde pública, ao infringir as regras de isolamento durante manifestação no dia 15 de março, quando Bolsonaro cumprimentou apoiadores mesmo com suspeitas de estar contaminado pelo coronavírus. A notícia-crime foi apresentada pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG).

O ministro do STF Marco Aurélio Mello pediu, na segunda-feira (30), que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre a questão. “Existem vários caminhos que podem fazer com que o Brasil se livre desse pária que é Jair Bolsonaro.”