No colo

Bolsonaro reforça embate com governadores em pleno avanço da pandemia

Enquanto desestimula o isolamento social reiteradamente, presidente diz que não vai arcar com a conta do aumento do número de mortos

Marcos Corrêa/PR
Ex-aliados, Bolsonaro e Doria passaram a enfrentamento aberto em meio à pandemia, prejudicando a população

São Paulo – Depois de responder com “E daí?”, quando perguntado sobre o avanço do número de vítimas pela covid-19 no país, o presidente Jair Bolsonaro voltou a se eximir, atribuindo aos governadores e prefeitos as responsabilidades pelo medidas adotadas no combate à pandemia. “Não vão botar no meu colo uma conta que não é minha”, disse ele nesta quarta-feira (29). Em especial, reforçou os atritos com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

“A imprensa tem que perguntar para o Doria por que mais pessoas estão perdendo a vida em São Paulo”, disse Bolsonaro. O governador reagiu. “Venha ver as pessoas agonizando nos leitos e a preocupação dos profissionais de saúde de São Paulo”, respondeu. Em mais um capítulo dessa disputa, o presidente afirmou, nesta quinta-feira (20), que Doria – a quem chamou de “governador gravatinha” –, faz “politicalha em cima de mortos”.

Para o cientista político e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Wagner Romão, Bolsonaro vem tomando atitudes “absolutamente irresponsáveis“, que corroboram para o relaxamento do isolamento social em todo o país, justamente no momento em que avança o número de vítimas.

Ameaça

Não bastasse a retórica nociva do presidente, setores empresariais pressionam os governadores, em diversos estados, a abrandarem as medidas restritivas, ignorando os riscos desse tipo de medida, em prol da retomada das atividades econômicas, destacou o cientista político, em entrevista a Marilu Cabañas e Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual.

“A população está entregue à própria sorte. A depender das decisões das esferas de governo, a sociedade terá que pensar em situações de desobediência civil. O pior é que há muita desinformação. As pessoas ainda não entenderam que precisam ficar em casa. Não só por causa delas, mas por conta de questões que envolvem todo o sistema de saúde. Não perceberam que a classificação de grupo de risco é absolutamente questionável. Todos nós somos vetores do contágio, independentemente da idade”, afirmou Romão.

Oportunismo

Por outro lado, as declarações de Doria, segundo Romão, são “friamente calculadas” para polarizar com o presidente, com vistas às eleições de 2022. Apesar das “palavras duras”, ele destaca que o governador tem tomado medidas “dúbias” no combate à pandemia. Ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de isolamento, lança um plano de reabertura, sem considerar os dados epidemiológicos que apontam para o crescimento do contágio durante o próximo mês.


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