Desafio global

Lula discute com líderes da Itália e da França a escalada autoritária no mundo

Ex-presidente teve encontros com o ex-primeiro-ministro da Itália Enrico Letta e com o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy

Ricardo Stuckert
Sarkozy disse a Lula que o atual ministro da Justiça Sergio Moro escancarou sua parcialidade ao aceitar fazer parte do governo Bolsonaro

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve encontros nesta quarta-feira (4) com o ex-primeiro-ministro da Itália Enrico Letta e com o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy. O encontro entre chefes de Estado com histórico democrático compõe a agenda política de Lula na Europa para discutir meios de cooperação na construção de uma resistência democrática internacional.

“Dividimos muitas preocupações em comum, em especial ascensão do fascismo que aflige não só o Brasil, mas o mundo”, afirmou Lula nas redes sociais sobre o encontro com o ex-premiê italiano (2013-2014). “Conversamos muito sobre a crise dos refugiados na Europa e como a vida dessas famílias é devastada pela guerra. O tema da imigração é uma coisa muito sensível e que merece ser olhado com muito cuidado e atenção por todas as nações que muitas vezes falam em paz, mas promovem a guerra. Mais uma reflexão atual e urgente.”

Já sobre na reunião com Nicolas Sarkozy hoje, em Paris, o ex-presidente francês (2007-2012) relatou observar com preocupação a escalada autoritária do governo Bolsonaro. E disse que o atual ministro da Justiça Sergio Moro escancarou sua parcialidade ao aceitar fazer parte desse governo.

A etapa de Paris da agenda de Lula na Europa encerra-se hoje. Na França desde domingo, o ex-presidente brasileiro reuniu-se com o líder da esquerda local, Jean-Luc Melenchon, o ex-presidente François Hollande, o fotógrafo Sebastião Salgado, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, de quem recebeu o título de Cidadão Honorário, e coletivos artísticos de políticos que realizaram o Festival Lula Livre em Paris.

Ontem, com o ex-presidente francês François Hollande, debateu os desafios para a esquerda lidar com o cenário de ódio que avança em nível mundial e as tarefas mais urgentes para a retomada de governos pautados pela justiça social.

Nos próximos dias, Lula segue a Genebra, onde vai se reunir na sexta-feira (6) com o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) para debater a questão da desigualdade, tema presente também em sua passagem por Paris. Ainda na Suíça, ele se reúne com sindicatos globais.

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