Mais uma vez

Bolsonaro joga com teste de coronavírus para desacreditar a imprensa

Filho de Bolsonaro teria passado informações falsas para a imprensa dos EUA. Parte da mídia brasileira reproduziu e foi desmentida em seguida

reprodução
Governo Bolsonaro mais uma vez causa ruídos na comunicação e se aproveita da situação para desacreditar a imprensa

São Paulo – O governo Bolsonaro mais uma vez causou ruídos na comunicação para depois atacar e desacreditar a imprensa. Com a expectativa sobre o resultado do exame dele para detectar uma possível infecção por coronavírus, o governo deixou circular informações sobre a confirmação da contaminação para depois o presidente usar as redes sociais para desmentir as notícias. O teste dele resultou negativo.

Até a imprensa dos Estados Unidos foi utilizada. A Fox News diz ter recebido informações de um dos filhos do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), de que o teste havia dado positivo para infecção por coronavírus. Veículos brasileiros passaram a repercutir a notícia da agência estrangeira, por volta das 10h.

Quando a notícia já estava viralizando nas redes sociais, Bolsonaro usou suas contas para desmentir a notícia e divulgar que o teste feito pelo Hospital das Forças Armadas (HFA) havia dado negativo, por volta das 12h30. Na imagem que acompanha a postagem, ele aparece fazendo o gesto de “dar uma banana”, usado recentemente contra repórteres no Palácio da Alvorada.

Na sequência, o presidente postou: “NÃO ACREDITE NA MÍDIA FAKE NEWS! SÃO ELES QUE PRECISAM DE VOCÊS!”, assim mesmo, em caixa alta.

Por meio de seu perfil no Twitter, o jornalista e correspondente da emissora na Casa Branca John Roberts afirmou que Eduardo Bolsonaro havia de fato dito que seu pai estava com o Covid-19. “Depois de contar à Fox News que seu pai fez um teste positivo preliminar para coronavírus, Eduardo Bolsonaro agora conta à Fox News que o teste foi negativo. Bolsonaro diz que entrou em contato com a Casa Branca.”

Desde o início, o teste de Bolsonaro parecia fora dos padrões. O teste rápido fica pronto em algumas horas. E a contraprova, embora dependa de transporte aos laboratórios de referência, não demanda muito mais tempo. Na manhã de ontem (12), foi anunciado que os exames dele só teriam resultado na manhã desta sexta-feira, aparentemente vislumbrando a repercussão.

Bolsonaro fez o teste depois da confirmação de infecção por coronavírus no chefe da Secretaria de Comunicação Social, Fábio Wajngarten. Além dele, fizeram exames o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD), o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Todos deram negativo.


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