ELEIÇÕES 2020

Socióloga e youtuber defende mais qualidade no voto em mulheres neste ano

Atuação contra a desigualdade e ausência de medo em se assumir feminista devem ser critérios na escolha de candidatas mulheres, afirma a pesquisadora Sabrina Fernandes

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Sabrina comenta que a maior representatividade da mulher na política institucional ajudaria a romper com o ambiente machista que predomina no Legislativo

São Paulo – Não basta apenas eleger mais mulheres para os cargos públicos no Executivo e no Legislativo. É preciso que as mulheres eleitas tenham representatividade concreta e atuem em favor de mais políticas públicas para o gênero e contra a desigualdade, sem medo de ser feminista ou anticapitalista.

Esta é a principal mensagem da socióloga e pesquisadora da pós-graduação da Universidade de Brasília (UnB) Sabrina Fernandes, em vídeo divulgado na quinta-feira (6) em seu canal no YouTube, Tese Onze, que conta com 241 mil inscritos. O vídeo propõe uma reflexão sobre a qualidade do voto em mulheres, já que neste ano haverá eleições para prefeitos e vereadores.

Sabrina lembra como exemplo que no Congresso Nacional apenas 10,5% dos parlamentares são mulheres, enquanto na sociedade brasileira elas representam 51,7% da população. E comenta que a maior representatividade da mulher na política institucional ajudaria a romper com o ambiente machista que predomina no Legislativo. “Isso ajudaria também a estar inspirando outras mulheres e a mostrar que política também é lugar de mulher.”

No vídeo, Sabrina destaca a existência da legislação eleitoral que prevê que 30% dos candidatos devem ser mulheres, mas que muitas vezes isso não é levado adiante pelos partidos, ou porque lançam candidaturas mas não as promovem, ou porque usam essas candidaturas como laranjas.

“Tem muito partido por aí que acaba não dando realmente o suporte que essas candidatas mulheres precisam, elas são registradas por conta da cota, mas não levam aquela estrutura de campanha, às vezes não são levadas a sério. Em alguns casos, acabam sendo chamadas até mesmo de candidatas laranja. A gente vê como essa cota é muito importante só que, apesar de importante, ela não tem sido suficiente.”

Sabrina também destaca que apesar da baixa representatividade, a deputada Renata Abreu (Podemos-SP) tem um projeto para eliminar a cota de 30%. O argumento da deputada é que o Parlamento tem cada vez mais mulheres e que não seria razoável supor que exista discriminação de gênero impedindo candidaturas femininas a ponto de serem necessárias medidas como a cota na legislação eleitoral.

“Ela está achando que  os 10,5% de mulheres está bom, que esse número está ótimo, e que não tem discriminação de gênero, as mulheres já estão participando. Só que a gente (o Brasil) está atrás de 151 países em ranking de representatividade, mas para a deputada Renata Abreu está tudo bem”, critica Sabrina.

Confira o vídeo