RESISTÊNCIA

Gleisi: principal luta não é no Legislativo, onde a oposição não tem maioria, é nas ruas

Deputada comenta a retomada dos trabalhos no Congresso e pede mobilização à população: "se a sociedade não reagir agora, dificilmente faremos frente a isso tudo no Congresso"

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"Essa gente quer transformar o Estado em uma empresa, para vender serviços"

São Paulo – Em vídeo divulgado nas redes sociais, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) saudou os petroleiros, em greve desde o sábado (1°), e falou sobre o ano legislativo, iniciado nesta segunda-feira (3).  “Vamos fazer o enfrentamento aqui (no Congresso). Mas a principal luta que temos que fazer não é dentro do Legislativo, onde a nossa correlação de forças é baixa. A oposição não tem maioria. A principal luta é nas ruas do país, conversando com as pessoas, nas mobilizações sociais, sejam grandes, pequenas ou setoriais.”

Segundo a parlamentar, a luta dos petroleiros é fundamental porque a Petrobras “é a principal empresa do Brasil, a mais estratégica do ponto de vista do nosso desenvolvimento”. Ao “fatiar” e vender a estatal “aos pedaços”, o governo Jair Bolsonaro está “vendendo nosso patrimônio aos estrangeiros”, disse. “Querem agora ajuda dos Estados Unidos para formatar os leilões para extração do petróleo, inclusive do pré-sal. Os americanos têm interesse enorme no petróleo brasileiro. Grande parte das crises políticas que estamos tendo no Brasil tem a ver com intervenção dos Estados Unidos, com seu interesse estratégico no nosso petróleo.”

Gleisi lembrou que os funcionários da Casa da Moeda iniciaram hoje uma greve de advertência de 24 horas contra a privatização ou mesmo extinção da instituição, nos planos do governo. “Desconheço país que terceirize a produção de dinheiro. Os Estados Unidos com certeza não terceirizam. É fundamental para nossa soberania e nossa segurança.”

A deputada citou ainda a greve dos funcionários da Dataprev como “outro movimento forte” no início de 2020. A Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social é responsável pelo processamento de dados do governo federal, inclusive os dados da Previdência e outros dados estratégicos. “O governo quer colocar na pauta a entrega do processamento desses dados, de todas as informações da Previdência brasileira nas mãos da iniciativa privada. É uma loucura a forma como esse governo está destruindo o Brasil e o Estado brasileiro”, afirmou.

O Estado, numa economia capitalista, disse Gleisi, “tem o papel de fazer a mediação e proteger os que mais precisam e os mais pobres. Essa gente quer transformar o Estado em uma empresa, para vender os serviços do Estado. Serviços você vende, direitos não. Querem transformar direitos em serviços.”

Para Gleisi, se a sociedade não reagir “agora, dificilmente faremos frente a isso tudo no Congresso”.  Ela mencionou as principais pautas da agenda do governo no Legislativo em 2020, entre elas, a reforma tributária, a privatização dos rios brasileiros, a carteira de trabalho verde amarela, as demandas do agronegócio, a PEC paralela da Previdência, o socorro às instituições financeira, a autonomia do Banco Central. “Do ponto de vista de um país soberano, a autonomia do BC é uma barbaridade”, disse. “O Banco Central vai ter mais poder do que o presidente da República eleito pelo voto. Não existe isso em países desenvolvidos.”

Ela lembrou ainda o projeto que promove mudanças no mercado de câmbio e autoriza as pessoas a terem conta em dólar. “Na Argentina, a dolarização levou o país à bancarrota. Estão vendendo as reservas do país e dizem que o PT quebrou o Brasil. Abrem contas governamentais a empresas estrangeiras, querem convocar militares para tomar conta do INSS. Uma fila de quase 2 milhões de pessoas. Na realidade, estão segurando a concessão de aposentadorias para fazer economia.”

No ano passado, o Banco Central (BC) vendeu US$ 36,9 bilhões das reservas internacionais brasileiras, para abater a dívida bruta e se desfazer de um instrumento de política cambial importante, na avaliação do economista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Pedro Rossi.

A deputada lembrou que o governo vai enviar a proposta de reforma administrativa ao Congresso e comentou a PEC “da emergência” fiscal, que cria o regime de emergência para União, estados e municípios. “Se não cumprirem a meta fiscal, eles podem tomar medidas contra o funcionalismo e fazer mais cortes nos recursos orçamentários. É um desmonte total do Estado.” Segundo Gleisi, “não tem como fazer o que estão fazendo se não for pelo autoritarismo, pela exclusão e pela violência.”