Terrivelmente próximo

Bretas ‘segue os passos de Moro’ ao se aproximar de políticos

Juiz federal participou de evento com Bolsonaro e fez uso de carro oficial. Para a advogada Tânia Mandarino, CNJ precisa deliberar sobre esse tipo de atitude, que afronta a carreira, para resgatar credibilidade

DCM/ Reprodução
Bretas ainda participou, ao lado do presidente, de evento para celebrar os 40 anos da Igreja Internacional da Graça de Deus neste sábado (15). E tem se reunido para conversas particulares com Bolsonaro

São Paulo – Para a advogada Tânia Mandarino, do Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia, causa “indignação” a aproximação declarada do juiz federal Marcelo Bretas com o presidente da República Jair Bolsonaro. Neste sábado (15), o magistrado participou do evento de inauguração da alça de ligação da Ponte Rio-Niterói com a Linha Vermelha, no Rio de Janeiro, onde chegou inclusive em carro oficial da presidência da República.

O juiz, responsável pelos processos da Lava Jato no Rio, ainda fez parte, ao lado de Bolsonaro, de um evento na Praia de Botafogo, zona sul da capital fluminense, para celebrar os 40 anos da Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário RR Soares. 

Nas redes sociais, o magistrado registrou sua participação e a chegada do presidente ao evento, que contou ainda com a presença do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), no que parece ser um movimento de Bretas para seguir os passos do ministro da Justiça, Sergio Moro, como relaciona a advogada Tânia Mandarino, integrante do Coletivo de Advogadas e Advogados pela Democracia, em entrevista aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, da Rádio Brasil Atual

“Essa é mais uma das notícias que deixam a gente indignado, mas acontece que isso não é novidade, quando o Sergio Moro era juiz, ele também congratulou com candidatos como Aécio Neves. Apareceu naquela fotografia famosíssima junto com o Aécio, cochichando, com Temer, entre outros. Está tudo perdido”, crítica Tânia.

A aproximação de Bretas e Bolsonaro estaria cada vez mais sólida, de acordo com reportagem do jornal O Globo, que confirma ainda conversas privadas do juiz com o presidente. A ligação entre os dois se dá perto de dois momentos importantes, a indicação de um dos membros do Supremo Tribunal Federal (STF), que terá um mandato vago no final do ano com a aposentadoria do ministro Celso de Mello – e que Bolsonaro já declarou sua vontade em indicar um nome “terrivelmente evangélico” – e as eleições municipais, com a já declarada rivalidade entre Bolsonaro com o governador do Rio, Wilson Witzel (Rio).

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vem, no entanto, discutindo esse tipo de comportamento dos magistrados nas redes sociais, mas ainda não tem uma deliberação a respeito. “O CNJ precisa demonstrar também, assim como outras instituições, que a sua credibilidade tem que ser resgatada”, cobra a advogada.

“Mas o próprio CNJ, na minha modesta opinião, depois que se deu o golpe no Brasil, está muito estranho, permitindo que corregedorias estaduais persigam advogados militantes ativistas. Não sei se, como juízes, vão realmente tomar alguma medida ou se é só uma discussão para passar o tempo”, acrescenta Tânia.

Perseguição aos advogados no Paraná

De acordo com a integrante do Coletivo de Advogadas e Advogados pela Democracia, para além do corporativismo, desde a operação Lava Jato no Paraná vem se consolidando uma “perseguição aos advogados”, inclusive com ofensas à categoria em audiências.

Segundo Tânia, há diversos casos que ilustram essa perseguição voltada aos advogados que são militantes. “Para o advogado que é progressista é muito mais difícil pelo menos, porque a Ordem do Paraná acaba fechando com o Judiciário, com os juízes, em detrimento de prerrogativas de seus próprios advogados quando são mais progressistas obviamente”, contesta à Rádio Brasil Atual. “A gente espera que esse estado de coisas tenham um basta”. 

Confira a entrevista na íntegra


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