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#InterceptNoRodaViva

Moro vai ao ‘Roda Viva’ e internet quer jornalistas da Vaza Jato na entrevista

O ministro da Justiça, Sergio Moro, vai ao programa pela primeira vez como ministro bolsonarista. Glenn Greenwald diz que se não convidarem jornalista do Intercept é covardia
Publicado por Gabriel Valery, da RBA
16:23
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aroeira/jornalistas pela democracia

#VazaJato, evidenciou um conluio de Moro com membros do Ministério Público para orquestrar uma ação política dentro da operação Lava Jato

São Paulo – “Seria indesculpável e um tanto covarde para o Roda Viva permitir que Sergio Moro aparecesse sem colocar um jornalista do The Intercept Brasil no painel para participar da discussão”, provoca o jornalista e fundador do veículo Glenn Greenwald. Após a TV Cultura anunciar a presença do ministro da Justiça no programa, rapidamente um movimento ganhou as redes sociais: #InterceptNoRodaViva.

O programa vai ao ar na segunda-feira (20) e marca a estreia de Vera Magalhães como condutora da banca de entrevistadores no lugar de Daniela Lima – que vai para a CNN Brasil. É a primeira vez que Moro participará do programa na condição de ministro. Em março de 2018 participou na condição de juiz. Moro abandonou a carreira de magistrado para integrar o governo de extrema-direita do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) – que ajudou a eleger ao tirar Lula da disputa presidencial.

Para Glenn, a presença de alguém do Intercept é óbvia e só não será concretizada se existir pressão do próprio ministro. “É muito óbvio que convidar um jornalista do The Intercept Brasil para participar da entrevista de Sergio Moro explodiria a audiência desse programa. A única razão para não fazer isso é o medo de Moro e deixá-lo – escandalosamente – ditar quem estará lá”, disse.

Quando juiz, Moro já atuava em defesa de forma partidária e ideológica, em favor grupos políticos afinados com o bolsonarismo e contra a oposição, em especial o PT e o ex-presidente Luiz Inácio lula da Silva. A afirmação foi confirmada justamente pelo The Intercept Brasil que, na série de reportagens que ficou conhecida como #VazaJato, evidenciou um conluio de Moro com membros do Ministério Público para orquestrar uma ação política dentro da operação Lava Jato, entre outras atitudes que, no mínimo, ferem o Código de Ética da Magistratura.

Outra jornalista do Intercept, Amanda Audi, também estranha a ausência de alguém do veículo no programa. “Vocês conseguem imaginar uma sabatina com Moro sem nenhum jornalista da VazaJato? Não dá, né?”, criticou. A editora Paula Bianchi também fez coro com a campanha: “Não faria sentido chamar alguém do Intercept para essa entrevista com Moro dado o peso da VazaJato no primeiro ano da carreira do juiz como ministro?”

Repercussões

O engajamento dos jornalistas na campanha das redes sociais inflamou os usuários que colocaram a hashtag entre as mais comentadas do país no Twitter, desta terça-feira (14). Pessoas distintas agora pedem, repetidamente, a presença de alguém do veículo no programa. “Ter um jornalista do The Intercept Brasil no Roda Viva com Moro é o mínimo que o programa poderia fazer a fim de promover um debate plural. Por qual motivo desejam ofuscar a #VazaJato?”, disse o deputado federal José Guimarães (PT-CE).

Já o perfil humorístico @HaddadDebochado, que conta com mais de 130 mil seguidores, fez uma provocação relacionada a um dos furos da #VazaJato. “Será que a bancada vai ser formada pelos jornalistas que recebiam vazamentos ilegais da Lava Jato e do Sergio Moro? Ou o Roda Viva vai ter coragem de chamar os jornalistas do Intercept para confrontar o marreco de Curitiba?”