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A verdade está vencendo

‘Quem está no governo está para destruir, não para construir’, disse Lula

Em lançamento da segunda edição do livro "A Verdade Vencerá", ex-presidente afirmou que povo aprendeu a andar de avião, a viajar pelo Brasil. "Nosso povo aprendeu a ter dignidade"
Publicado por Gabriel Valery, da RBA
23:10
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RBA

"Minha história é construída com o povo. Se deu através de uma vida. Isso me dá tranquilidade"

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta terça-feira (10) do lançamento da segunda edição ampliada do livro A Verdade Vencerá: O povo sabe por que me condenam, pela Boitempo Editorial. Ao lado dos organizadores e entrevistadores do livro, Lula falou aos presentes que enfrentaram a chuva severa que caía desde a tarde, na capital paulista. O lançamento ocorreu na quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, centro de São Paulo.

Com a garganta frágil e a voz rouca, o petista fez um discurso mais breve do que o de costume. Mas não deixou de criticar o governo de extrema-direita do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Esse país não pode ser governado pelo tipo de gente que está no governo”, afirmou. “Nosso povo aprendeu a ter emprego, a ter salários melhores, aprendeu a comer três vezes por dia. Nosso povo aprendeu a andar de avião, a viajar esse país. Nosso povo aprendeu a ter dignidade. Essa gente que está aí, gente do mal, não está para construir. Está para destruir”, disse.

A mídia comercial também foi alvo do discurso de Lula, em especial os oligopólios midiáticos. “Tem gente que é capa da Veja e não aguenta um dia. Tive mais de 200 horas de Jornal Nacional contra mim. Tive mais de mil capas de Estadão, Folha, O Globo, Valor e tantos jornais contra mim. Uma coisa que eles não sabem é que minha história é construída com o povo. Se deu através de uma vida. Isso me dá tranquilidade.”

Lula mencionou brevemente o fato de a Operação Lava Jato ter resgatado uma ação já arquivada contra seu filho Fábio. “Hoje, a Lava Jato, como está caindo no descrédito, fez mais uma denúncia em cima de um inquérito arquivado em 2010. Cheira a canalhice. Fico preocupado, porque essa gente agindo como está agindo estão nos jogando no descrédito. As instituições que criamos estão caindo no descrédito”, atacou.

A verdade apareceu

O ex-presidente foi homenageado por representantes de dezenas de coletivos que lutaram por sua liberdade em todo o Brasil. Todos continuam nas ruas com o objetivo de debater com a população a prisão política de que Lula foi vítima por 580 dias em Curitiba.

Para o jornalista Juca Kfouri, que participa do livro como um dos entrevistadores de Lula e foi o mestre de cerimônias do lançamento, “a verdade já venceu”. “Tinha dito que fizemos um livro com todas as perguntas que precisavam ser feitas para Lula. Não precisou passar mais que dois anos para que a verdade toda aparecesse com as reportagens do The Intercept.”

O jornalista Breno Altman, do Comitê Nacional Lula Livre, avisou: a luta persiste. “O ex-presidente Lula está solto mas ainda não está livre. A contra ofensiva age para ferir e reduzir a resistência do povo brasileiro. Isso exige de nós que continuemos a lutar, com cada vez mais força e dedicação pela libertação plena e inocência do ex-presidente.”

Já o vereador Eduardo Suplicy (PT-SP), lembrou de histórias com Lula, de dificuldade, lutas e glórias. “Gosto de relembrar que algumas vezes, nós do PT, precisamos remover montanhas. Da mesma maneira que em 2002 tive o topete de ser pré-candidato com você e você teve mais de 80% dos votos. Eu disse que a partir daquele dia eu batalharia para que Lula fosse presidente. E aconteceu”, lembrou, emocionado, o ex-senador. “Lembro de ir para o hospital. Você, Lula, foi me dar um beijo. Eu saí da minha cama do hospital para votar no Lula. Agora, em 2020, em 2022, vamos lutar juntos com a garra formidável que o Lula nos ensinou”, disse.