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Sem esperar mais por Bolsonaro, Pernambuco convoca pesquisadores para “decifrar” óleo nas praias

Governo do estado lançou edital de R$ 2,5 milhões para que pesquisadores contribuam com defesa do meio ambiente. No "Entre Vistas", Paulo Câmara também fala das ações do consórcio dos governadores da região
Publicado por Helder Lima, da RBA
10:56
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José Cruz / ABR

Câmara: “Nós tivemos de fazer uma ampla mobilização para buscar alternativas de minimizar o que está acontecendo no nordeste”, diz o governador sobre o crime ambiental que tem forte impacto sobre a economia da região"

São Paulo – Diante do descaso do governo Bolsonaro frente ao vazamento de óleo que assola as praias do Nordeste, o governo de Pernambuco lançou um edital de R$ 2,5 milhões para convocar pesquisadores de 12 áreas. O governo estadual quer respostas sobre os impactos desse que é considerado o mais grave crime ambiental da história da região.

“O óleo chegou há 60 dias na região. A gente tem poucas respostas, isso tem trazido muitas interrogações e nós não sabemos ainda qual o efeito real desses vazamentos para o futuro, não apenas do turismo, mas para a questão do meio ambiente, dos trabalhadores da pesca, o que isso atingiu os nossos estuários”, afirma o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB). “Diante disso, nós entendemos que era necessário fazer um chamamento público de pesquisadores (…). Isso para nós é muito importante porque dá um horizonte de planejamento”, afirma Câmara.

O governador participa nesta quinta-feira (7) do programa Entre Vistas, na TVT, conduzido pelo jornalista Juca Kfouri. Câmara responde também perguntas das convidadas do programa, a jornalista Terlânia Bruno, da Rádio Brasil Atual, e a estudante de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e presidenta do Centro Acadêmico 11 de Agosto, Letícia Siqueira das Chagas.

“Nós tivemos de fazer uma ampla mobilização para buscar alternativas de minimizar o que está acontecendo no nordeste”, diz o governador sobre o crime ambiental que tem forte impacto sobre a economia da região.

“Tem que priorizar o que é importante. Não se pode ver um acidente ambiental como esse e não tomar nenhuma providência”, diz, criticando a inação do governo Bolsonaro para enfrentar o problema. “Hoje o debate é pequeno, é um debate rasteiro – discutir questões que todo mundo sabe que não pode dar certo, como o aumento de circulação de armas no país. Isso vai aumentar a violência. É um retrocesso a tudo que a gente conquistou em um período mais recente”, destacou.

No início do programa, Câmara comenta sobre o exemplo de união que a região tem dado ao país, com a consolidação do consórcio dos governadores do Nordeste. “O Nordeste tem essa característica há muito tempo, de buscar unidade. É uma região que é desigual. Nós temos cerca de 28% da população brasileira e menos de 14% do PIB. Nos últimos anos, o nordeste viu a vida melhorar, oportunidades aconteceram, tem um olhar para o desenvolvimento e buscar a inclusão, e isso está se perdendo, de maneira muito rápida. A região, os governadores e a sociedade viram a necessidade de unidade”, afirmou.

“E defender o povo mais pobre, e buscar alternativas em um serviço público que funcione melhor, e chegue a quem mais precise. E que possa ser uma voz clara de unidade em favor do Brasil, do povo e de uma forma de fazer política que tem dado certo para a região”, disse.

Câmara dá como exemplos da política nordestina os resultados obtidos no campo da educação. “Os exemplos são muito claros, é só ver a educação em Pernambuco e Ceará, que são referências hoje no ensino médio, no caso de Pernambuco, e no ensino básico, no Ceará”.

Ele também destacou que a ideia de unidade vem das gestões anteriores. “Os governadores decidiram há cerca de 3 anos – sete governadores da região foram reeleitos, então, essa unidade vem do mandato anterior”, afirma. “Decidimos que estava na hora de fazer um consórcio, de conversar mais, fazer parceiras, e uma gestão pública em que todos olhassem o que um está fazendo melhor do que o outro e todos pudessem se apropriar.”

“E culminou de este a ano a gente fazer uma estrutura para isso, que é o consórcio do nordeste, e culminou também de ter um governo federal que claramente não prioriza uma região que tem muito a ajudar o Brasil a sair desse momento tão difícil que passa.O governo federal tem feito retrocesso em muita coisa que precisava continuar, e a gente decidiu que precisava dessa unidade.”

Indagado pela jornalista Terlânia Bruno quanto aos resultados efetivos até agora obtidos pelo consórcio, o governador destaca as compras conjuntas pelos estados. “O consórcio foi formalizado agora, mas já vínhamos conversando e discutindo há muito tempo, debatendo temas importantes para o desenvolvimento da região. Mas nós já estamos fazendo compras corporativas, em escala, e isso ajuda a melhorar o preço de produtos que todos os estados compram, como os medicamentos. Já estamos com licitações conjuntas para diminuir o preço dos medicamentos”.

“Vamos fazer agora uma série de ações internacionais para mostrar o que é o Nordeste e toda a potencialidade (da região) e que vale a pena investir no Nordeste, fazer turismo”, destacou. Ele também menciona a Conferência Nacional do Clima em Recife, que está sendo realizada nesta semana, “porque o governo federal não quis sediar essa conferência, que é a preparatória para a COP-25, e nós estamos fazendo isso para mostrar a importância de se debater as mudanças climáticas, o meio ambiente, o crescimento sustentável”.


A íntegra pode ser vista a partir das 22h

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