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Aliança com quem?

Novo partido de Bolsonaro será ainda mais frágil que o PSL, diz analista

Wagner Romão, da Unicamp, afirma que a tentativa de cooptar parlamentares de outros partidos para a nova sigla deve resultar em novos atritos na base do governo
Publicado por Tiago Pereira, da RBA
11:27
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Carolina Antunes/PR

Personalismo de Bolsonaro também explica saída de Bolsonaro do PSL

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta terça-feira (12) a sua saída do PSL e a criação de um novo partido, que vai se chamar Aliança pelo Brasil. A viabilização da nova legenda até as eleições municipais do ano que vem será um desafio, segundo o professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de Campinas (Unicamp) Wagner Romão. Ele também diz que o fim da passagem de Bolsonaro pelo PSL demonstra a sua “inata” capacidade – e também dos seus filhos – de criar problemas e confusão.

“O PSL já tem bases muito frágeis, mas as bases dessa Aliança pelo Brasil provavelmente serão ainda mais frágeis. É um partido que vai ficar absolutamente dependente da figura do Bolsonaro. Gostemos ou não, ele tem um carisma e uma base popular de apoio ainda consideráveis. Mas é uma liderança absolutamente personalista, autoritária e instável. Foi isso que levou a essa crise no próprio PSL, com personagens que eram Bolsonaro ‘desde criancinha’ durante a eleição, e hoje já fazem muitas reservas e se colocam contra essa personalidade autoritária”, afirmou o analista ao jornalista Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, nesta quarta-feira (13).

Romão destaca que o fator preponderante para a ruptura de Bolsonaro com o partido que o elegeu foi a disputa por cargos e recursos do fundo partidário com o deputado federal Luciano Bivar, considerado o “dono” do PSL. “O clã Bolsonaro queria tomar o controle da legenda para dar as cartas durante a disputa municipal no ano que vem.”

Com a saída do PSL, Bolsonaro também tenta se desvincular de uma parcela da legenda ligada ao escândalo das candidaturas-laranjas. Investigações da Polícia Federal apontam que mulheres foram utilizadas como candidatas de fachada, em Pernambuco, para desviar recurso do fundo partidário. O mesmo esquema teria sido utilizado também em Minas Gerais, sob o comando do então deputado federal Marcelo Álvaro Antônio, hoje ministro do Turismo.

Os dois grupos também chegaram a medir forças pelo comando do partido no Congresso Nacional. A disputa terminou com a destituição do deputado Delegado Valdir da liderança do PSL na Câmara, que chamou Bolsonaro de “vagabundo” e ameaçou “implodir” o presidente. Também destituída da liderança do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselman provocou a família Bolsonaro, dizendo que espera que os “xiitas” do partido – expressão equivocada para classificá-los como radicais – sigam também para a nova legenda.

Ao menos 16 deputados do PSL devem seguir Bolsonaro em seu novo partido. A família do presidente também espera atrair parlamentares mais conservadores que hoje estão em agremiações do chamado “centrão”. Contudo, a “instabilidade institucional” da nova legenda, que precisa cumprir as determinações legais até 31 de março do ano que vem, somada a personalidade “autoritária” de Bolsonaro podem frustrar essas expectativas. A tentativa de aliciar apoiadores em outros partidos deve, inclusive, causar dificuldades para o próprio governo.

Ouça a entrevista completa