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‘Jornal Nacional mais parece marketing político do que jornalismo’, afirma Chico Malfitani

Jornalista e publicitário toca uma iniciativa diária de analisar as edições do maior telejornal do país, o Jornal Nacional, da TV Globo
Publicado por Gabriel Valery, da RBA
19:13
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"Jornal Nacional tem uma história de 50 anos de manipulação"

São Paulo – O jornalista e publicitário Chico Malfitani estreou, na última segunda-feira (30), o programa “Nocaute no Jornal Nacional“. A iniciativa analisa o conteúdo diário do principal noticiário diário do Brasil, e quais os artifícios utilizados pela TV Globo para manipular a opinião pública. Após uma semana de projeto, Malfitani avaliou a iniciativa ao lado do jornalista Lalo Leal, em seu programa De Olho na Mídia, do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé.

“O programa mostra as incoerências do Jornal Nacional. Não são apenas informações mentirosas, são omissões importantes. Às vezes, é mais importante não contar algo importante do que apresentar algo não verdadeiro. Chico tem se esforçado diariamente. Não é mole”, disse Lalo. O programa do blog Nocaute vai ao ar imediatamente após a exibição do Jornal Nacional.

Malfitani classificou o trabalho como uma missão “de Davi contra Golias”. A TV Globo mobiliza uma grande equipe diariamente, 24h, para colocar seu produto no ar. “Mais parece uma edição de marketing político do que de jornalismo. Quando ele termina, eu entro na lata, na raça. Mas temos munição. O Jornal Nacional tem uma história de 50 anos de manipulação. É um jornal muito bem feito tecnicamente, tem jornalistas de qualidade inquestionável, mas existe a manipulação”, completou.

A principal forma de manipulação, para Malfitani, vem da articulação ideológica única. “Só mostram um lado. Por exemplo, reforma da Previdência, reforma trabalhista, aprovação do teto de gastos. A única versão deles é que foram medidas para o emprego crescer. Agora, você aprova as três e a economia continua igual. Nunca colocaram alguém falando que as reformas não funcionariam. Nunca fizeram um balanço de quantos empregos foram criados após a reforma trabalhista do Temer”, explicou.

Critérios políticos

Em uma das questões abordadas por Lalo, está a ausência de interesse em uma entrevista com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba desde 7 de abril do ano passado. O jornalista ponderou que, independente de apoiar ou não, é de interesse jornalístico ouvir o ex-presidente. “O critério é político”, definiu. Malfitani completou: “A grande mídia no Brasil apoia as políticas neoliberais, o que não deu certo”. Por esta razão, as emissoras focam em apoiar “privatizações, cada vez menos direito para trabalhadores, entrega de riquezas”.


Assista ao “De Olho na Mídia”:

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