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Disputa entre Bolsonaro e PSL: ‘Virou um balcão de negócios’, diz professor

Jacques Mick, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), critica falta de identidade do presidente com o partido e sugere número para eventual nova legenda: '171 é mais autêntico'
Publicado por (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)
13:14
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Divulgação / PSL

Segundo especialista, é segunda vez que um presidente da República sem ter uma conexão com o partido, já que a primeira vez foi com Fernando Collor, em 1989

São Paulo – A disputa do presidente Jair Bolsonaro com o próprio partido, o PSL, virou um “balcão de negócios”. Para o professor de Sociologia Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), enquanto Bolsonaro busca uma saída jurídica para se associar a um outro partido, o PSL briga para não perder a receita do fundo eleitoral, que cresceu com o aumento de sua base no Congresso Nacional.

Os grupos de Bolsonaro e de Luciano Bivar, presidente da sigla, dizem que o que está em jogo nesta disputa é a chave do cofre dos R$ 110 milhões de fundo partidário que a legenda vai receber até o fim do ano. Em 2020, o valor subirá para R$ 500 milhões. Entretanto, o escândalo das candidaturas laranjas do PSL com suspeitas de caixa 2 também são motivos para Bolsonaro querer se desprender da sigla.

Caso consiga apresentar uma justifica plausível ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o caminho mais provável de Bolsonaro é a União Democrática Nacional (UDN), que está em fase final de criação (ou recriação) na Justiça Eleitoral. “Virou um balcão de negócios. Ele vai procurar uma linha de fuga“, afirma o professor, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

Jacques Mick ironiza as mudanças de partidos feitas por Bolsonaro e os artifícios de campanha baseados em fake news usados por ele durante a eleição, que garantiram sua chegada ao Planalto. “Ele poderia criar seu próprio partido e colocar uma legenda 171, que seria mais autêntico ao conjunto de fraudes e ilegalidades que colaborou com sua eleição”, disse.

Segundo a Folha de S.Paulo, ao menos 20 parlamentares estariam dispostos a seguir Bolsonaro. Para o professor, a mudança terá um lado bom, pois será possível enxergar com mais nitidez o tamanho real dos apoiadores do presidente na sociedade brasileira. “O número real não se reflete no número de votos que Bolsonaro teve ano passado”, explicou.

Entretanto, o especialista alerta que a mudança de partido não é fácil para os deputados. Atualmente, a legislação permite determinadas situações de justa causa para desfiliação partidária sem perder o mandato, como fusão de partido, desvio reiterado do programa partidário ou grave discriminação política pessoal.

Essa briga entra as alas dentro do PSL são motivadas pela falta de identidade da sigla, explica Mick. “A personalidade de Bolsonaro arrastou outros eleitos, isso faz com que o PSL não seja um partido, mas uma convenção de youtubers. Tem muita gente que pensa muito diferente, o que atrapalha uma articulação colegiada e coerente. É a segunda vez que temos um presidente da República sem ter uma conexão com o partido, já que a primeira vez foi com Fernando Collor, em 1989.”

Ouça a entrevista completa