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"Vamos criar distração"

Denúncia contra Lula por sítio teve objetivo de manipular atenção do público

Pessoal de Curitiba escolheu momento para fazer acusação no caso do sítio em Atibaia para tirar foco de escândalo Temer-Joesley e acobertar pecados de colegas procuradores
Publicado por Paulo Donizetti de Souza, da RBA
08:09
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Agência Brasil

Carlos Fernando dos Santos Lima e Dallagnol manipularam data de divulgação do processo

São Paulo – O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, afirmou em mensagens trocadas com sua equipe que a denúncia contra Lula no caso do sítio de Atibaia (SP) poderia distrair a atenção do público em relação ao escândalo envolvendo o empresário Joesley Batista, o ex-presidente Michel Temer e integrantes da categoria, procuradores do Ministério Público Federal (MPF). A revelação está em novo episódio da Vaza Jato publicado hoje (14) pelo The Intercept Brasil, em reportagem de Rafael Neves.

De acordo  com a reportagem, o processo do sítio estava pronto para ser apresentado em 17 de maio de 2017. Foi nesse dia que jornal O Globo divulgou gravação de conversa entre Joesley e Temer feita pelo próprio empresário, dono da JBS. O áudio mostrava Temer dando suposto aval a Joesley para que mantivesse pagamento de propina ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB), de modo a comprar seu silêncio.

A notícia-bomba parou Brasília. Mas ganhou destaque a hipótese levantada por Temer de que a gravação teria sido editada – a gravação foi entregue pelo empresário ao procurador-geral Rodrigo Janot, dando início a um processo de delação do dono da JBS. Deltan Dallagnol, então, segurou a divulgação da acusação contra Lula, prevista para o dia seguinte. E quando a hipótese de manipulação por parte do Ministério Público estava em alta, Dallagnol soltou a nova ofensiva contra o ex-presidente cinco dias depois, em 22 de maio.

Os procuradores estavam preocupados com a imagem da Lava Jato, uma vez que a denúncia de Joesley punha em xeque a credibilidade do MPF. Isso porque o ex-procurador Marcello Miller, braço-direito de Rodrigo Janot havia recebido “honorário” de R$ 700 mil da JBS, por meio do escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe, para orientar o acordo de leniência da empresa na delação.

O procurador Athayde Costa considerava que o Ministério Público estava “perdendo a guerra da comunicação” no caso da JBS. Concordando, Dallagnol angustiava-se com o silêncio de Janot, que não havia se manifestado publicamente desde a revelação de O Globo. Um trecho do diálogo entre os dois no Telegram mostra que Dallagnol tentou orientar o procurador-geral da República sobre como abafar a crise.

Acompanhe a sequência de mensagens publicadas pelo Intercept e leia aqui a reportagem completa.