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Movimentos lançam frente em defesa da soberania e das empresas públicas

Parlamentares, organizações da sociedade e entidades sindicais alertam para retrocessos promovidos por Bolsonaro e apresentam alternativas para a defesa do patrimônio público
Publicado por Felipe Mascari
12:04
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benildes rodrigues

Ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) e os ex-candidatos à presidência Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (PSOL) estão presentes no evento

São Paulo – Em defesa dos patrimônios públicos e da retomada da democracia, movimentos populares, partidos políticos, centrais sindicais e segmentos da sociedade lançarão, nesta quarta-feira (4), a Frente Parlamentar e Popular em Defesa da Soberania Nacional, em Brasília.

Acontece na Câmara o Seminário O Brasil é Nosso, ato político em que lideranças analisam os retrocessos promovidos pelo governo Jair Bolsonaro (PSL) e apresentam alternativas frente à destruição do patrimônio nacional. A audiência ocorre  no Auditório Nereu Ramos. A ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), o ex-senador Roberto Requião (MDB), os ex-candidatos à presidência Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (Psol), estão presentes no evento organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Ao Brasil de Fato, Rita Serrano, conselheira eleita da Caixa Econômica Federal e coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, destaca a simbologia da iniciativa.  “Não é uma luta da esquerda, mas de todas as pessoas que têm compromisso e acreditam na democracia. É uma luta de todas as pessoas que defendem melhores condições de vida, o compromisso e desenvolvimento do país, com seu meio ambiente, educação. É um momento ímpar de reunir diversos segmentos para o debate sobre o futuro do país, a soberania e as consequências das privatizações”, afirma.

Rita ressalta o momento de atenção aos diversos anúncio dos cortes de bolsas e investimentos em Educação e Saúde, além da privatização das empresas públicas. O governo federal já afirmou que há intenção de vender 17, entre elas Eletrobrás e Correios, e ainda parte do capital do Banco do Brasil.

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, alerta que o momento necessita de intensa mobilização em defesa das demais empresas públicas e da soberania nacional. “Um país sem bancos públicos, sem ciência e tecnologia, sem educação pública de qualidade, sem suas reservas minerais e naturais é um país sem empregos, sem renda, sem soberania e sem futuro. Por isso, nós do Sindicato estaremos em Brasília, participando dessa grande mobilização”, ressaltou.

Unificação da esquerda

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também acredita que a pauta é importante. Em entrevista ao Brasil 247, Lula afirmou que a defesa da soberania nacional ante os ataques e privatizações do governo Bolsonaro é o instrumento capaz de unificar a esquerda no país para disputar as próximas eleições presidenciais.

“Vai unificar se construir um instrumento de unificação, um programa em defesa da soberania nacional, de interesse soberanos e de uma nação soberana, voltada para os direitos fundamentais”, afirmou, com a ideia da elaboração de programa para ser apresentado à sociedade.

Para o ex-presidente, a ameaça de privatização da Petrobras pelo governo é um dos mais graves gestos de afronta à soberania do país, afirma o ex-presidente. Ele lamentou que exista até mesmo o interesse em destruir a Lei de Partilha e lembrou que o petróleo representa a perspectiva de futuro para para reduzir as desigualdades no país.

Rita Serrano também destaca o processo de desindustrialização: menos de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) provém da indústria. Para ela, a dependência de commodities (matéria-prima não industrializada) condena o país ao atraso. “O Brasil, na realidade, está tendo um retrocesso imenso e virou motivo de chacota internacional. As pessoas estão percebendo claramente que a menor preocupação deste governo é a soberania do país e a melhoria da qualidade de vida da população, tanto é que ela está só piorando”, finaliza a conselheira da Caixa.