Delírio em NY

Discurso de Bolsonaro na ONU é descolado da realidade, segundo professora da PUC-SP

Sem programa de inserção internacional do Brasil, restou ao presidente falar para a sua própria base de apoio e bajular Trump

Alan Santos/PR
Subordinado: Bolsonaro esperou mais de uma hora para dizer que amava o presidente americano Donald Trump

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) não tem um programa para a inserção do Brasil no cenário internacional e preferiu fazer um discurso voltado para o consumo interno, direcionado para as suas próprias bases. É como avalia a professora de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Elaini Silva. Ela afirma que o pronunciamento do presidente na abertura da 74ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (24), apresentou visão descolada da realidade e até mesmo “delirante”, em diversos momentos.

“O problema é que ele tem uma avaliação que não é baseada numa realidade, de fato, como ao dizer que o Brasil estava à beira do socialismo. É algo simplesmente delirante”, afirmou aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, nesta quarta-feira (25).

Elaini, que também é doutora em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo (USP), diz que a fala de Bolsonaro, misturando mentiras e teorias conspiratórias, só encontrou alguma ressonância entre os seus apoiadores, que também nutrem a mesma “falsa percepção” da realidade. Na esfera pública internacional, a reação, segundo ela, foi de “incredulidade“.

Trump

A inexistência de encontros bilaterais com outros chefes de Estado, em paralelo à participação na assembleia da ONU, também revela a falta de articulação da equipe de Bolsonaro, segundo a professora. O único contato de Bolsonaro com outros líderes se resumiu a um breve aperto de mãos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em encontro que durou 17 segundos. Elaini classificou a cena como uma demonstração de “sujeição e subordinação”. Na falta de um programa que oriente a posição do Brasil no cenário internacional, resta a Bolsonaro se “alinhar” a Trump, na tentativa de colher benefícios de uma suposta popularidade internacional da qual gozaria o presidente estadunidense.

Confira a íntegra da entrevista:

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