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Abusos da Lava Jato

Dilma: ‘Judiciário ainda pode cumprir seu papel constitucional’

Pelo Twitter, presidenta se manifestou a respeito das novas revelações da Vaza Jato: "Sem a reparação das injustiças, o Estado Democrático de Direito não será plenamente restabelecido"
Publicado por Glauco Faria, para a RBA
10:14
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Roberto Stuckert Filho

São Paulo – A presidenta Dilma Rousseff se manifestou, por meio de seu perfil no Twitter, a respeito das novas revelações divulgadas em reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, em conjunto com o The Intercept Brasil, neste domingo (8). Conversas entre integrantes da Lava Jato mostram que gravações interceptadas pela Polícia Federal contrariavam a tese defendida pelo então juiz Sergio Moro de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiria um ministério no governo da ex-presidenta para não ser investigado pela força-tarefa na primeira instância. No entanto, tais diálogos permaneceram sob sigilo, ao contrário da conversa entre Lula e Dilma divulgada pelo juiz.

“A Vaza Jato prova que Moro e seus procuradores ocultaram grampos ilegais de telefonemas de Lula para várias pessoas. As conversas mostram a razão de Lula ser nomeado ministro do meu governo: rearticular politicamente a base parlamentar e tentar sustar o golpe em andamento”, diz Dilma. “Parte do estrago causado à democracia pela Lava Jato é irreversível. O Judiciário, porém, ainda pode cumprir o seu papel constitucional, corrigindo ilegalidades e anulando decisões partidarizadas”, defende.

“Duas decisões comprovadamente ilegais foram a prisão de Lula, para impedi-lo de se eleger presidente, e o impeachment contra mim sem crime de responsabilidade. Sem a reparação das injustiças, o Estado Democrático de Direito não será plenamente restabelecido”, aponta Dilma.

Também na manhã deste domingo, a defesa do ex-presidente Lula divulgou nota a respeito da reportagem. Entre outros pontos, os advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Martins pontuam que a matéria “mostra que o ex-juiz Sergio Moro, os procuradores e o delegado da Lava Jato de Curitiba selecionaram conversas telefônicas mantidas por Lula, escondendo dos autos e do Supremo Tribunal Federal aquelas que mostravam a verdade dos fatos, ou seja, aquelas que deixavam claro que o ex-presidente aceitou o cargo de Ministro de Estado para ajudar o governo e o país e não para qualquer outra finalidade ligada às investigações da Lava Jato”.